PRIMEIRA CHANCE: Novela vertical vira teste de fogo na Globo: grava rápido, rende muito e cobra caro

A Globo enfim entrou no mercado das novelas verticais com a estreia de Tudo por uma Segunda Chance. O formato, concebido como uma solução mais barata e ágil para disputar outras telas além da TV aberta, transformou-se em um verdadeiro teste de fôlego para a emissora. Afinal, a líder de audiência ainda busca entender até onde pode ir com um produto criado para as redes sociais e que exige um ritmo, um nível de engajamento e um planejamento comercial muito diferentes dos da TV tradicional.

A vantagem inicial salta aos olhos, já que a produção é bem mais barata do que a de uma novela tradicional. O elenco é enxuto, gira em torno de dez atores, e as gravações acontecem em poucos dias. De acordo com fontes do Notícias da TV, todo o processo de uma novela vertical equivale ao trabalho de três capítulos de um folhetim convencional. O custo desaba, e a logística fica infinitamente mais simples.

O problema começa quando a câmera desliga. A pós-produção das novelas verticais é mais longa, trabalhosa e cara. Em vez de um único master horizontal para TV, cada capítulo precisa ser recriado para diferentes telas – Reels, Shorts, TikTok, Globoplay, YouTube e até versões pensadas para possíveis exibições na própria Globo. Cada plataforma demanda formato e estratégia próprios, o que multiplica as equipes e estende o prazo de finalização.

Há ainda outra questão sensível dentro da emissora: a monetização. Como o formato ainda é experimental, a Globo está tateando qual será a modelagem de faturamento dessas novelas. Vale cobrar por visualização? Vender cotas publicitárias específicas? Licenciar a história para outras plataformas? Ou misturar tudo? É um terreno em que ninguém tem respostas --e as definições só devem amadurecer quando o formato estiver mais consolidado.

Para completar, o modelo exige uma engrenagem em série. As novelas verticais precisam estrear quase sem intervalo entre uma e outra para evitar perda de engajamento, o que pressiona roteiristas, produtores, editores e até os atores. É um ritmo que lembra a TV aberta, mas com velocidade ainda maior: a indústria do digital não tolera hiatos.

Neste cenário, Tudo por uma Segunda Chance vira também um laboratório. A novela grava rápido, rende muito e cobra caro --especialmente na etapa em que a Globo mais depende da própria equipe para fazer o formato funcionar. É um projeto que pode pavimentar o futuro das narrativas curtas na emissora, mas também deixa claro que, na novela vertical, o barato tem preço.

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