Rainer comemora Verdades Secretas 2, destaca cenas quentes entre personagens LGBTQIAP+ como vanguarda e fala de sexualidade fluida

No ar como Visky, de “Verdades secretas” 2, Rainer Cadete posou para a coluna já com os cabelos tingidos de cor de laranja, próximo visual do personagem. Um dos grandes sucessos da primeira temporada da novela, o ator repete a dose nos novos episódios. Só que, agora, ele mostra uma versão mais madura e segura do booker :

— É muito especial reviver o papel nesse momento da minha vida, depois da quarentena, de passarmos por esse momento difícil em que perdemos muita gente. Vimos o nosso país sendo massacrado por uma onda conservadora, e chega o Visky, um personagem que me deixa mais alegre, me ensina sobre liberdade e deixa tudo mais colorido. Além de entreter, passa uma mensagem desse corpo político que merece viver, merece espaço e protagonismo. Ele tem a coisa do alívio cômico, que essas pessoas acabam desenvolvendo para sobrevier nesse mundo, mas tem muita profundidade e muita luta. Até outro dia, não tinha ida ao ar nenhum beijo gay. Walcyr Carrasco emplacou na novela das 21h (“Amor à vida”, em 2013) e agora estamos vivendo um outro momento com a série. Contando a história do erotismo, do sexo dessas pessoas, porque elas também transam. É um movimento de vanguarda — opina o brasiliense de 34 anos.

Rainer sente nas ruas o sucesso de Visky entre os espectadores:

— O público é caloroso. Estou trabalhando muito, saio cedo, volto e fico estudando. Na rua, a gente começa a sentir o sucesso quando as pessoas começam a pedir vídeos para alguém, tipo: “Manda um beijo aqui para a minha irmã que está grávida”. Sempre penso: “Que louco esse alcance”. É um frisson que “Verdades secretas” provoca e Visky também. E agora temos essa divulgação internacional incrível. Fico pensando no que está acontecendo: é a primeira novela do streaming , um momento histórico. Daqui a pouco, vai ter faculdade de audiovisual estudando isso tudo.

O teor sexual, uma das características da novela, está ainda mais presente na nova temporada. A proposta não assustou Rainer. Na história, até o momento, ele teve sequências quentes com Ícaro Silva e Dida Camero.

— Eu não tenho muitos pudores como ator. E não sou uma pessoa de muitos julgamentos também. Acho natural um corpo humano, a nudez e o sexo… Dito isso, tudo é feito de maneira muito profissional, temos o poder de decidir até aonde a gente vai, conversamos com outros atores, montamos uma coreografia… É tudo pensado. Confiamos muito na equipe, então, fica tranquilo de fazer.

Para além de sua trama, “Verdades secretas” vem sendo elogiada por mostrar cenas de amor e sexo entre pessoas LGBTQIAP+ da mesma forma como que retrata os casais heterossexuais. O ator acredita que a representatividade como de certos grupos contribui para a luta contra os padrões:

— A gente vive um momento de retrocesso. Eu não vivi, mas ouvi falar da década de 1970, de como estávamos mais à frente nessa questão da liberdade sexual. E parece que o mundo não anda de uma maneira linear rumo ao progresso. É como se vivêssemos ciclos e essa fase é uma das complexas, porque mostra o tanto que o nosso país é misógino, machista, homofóbico… Nossa História é marcada por grandes golpes e temos problemas graves. Precisamos olhar para eles. Quando se tem uma pessoa como a que está no nosso governo, que naturaliza tantas coisas terríveis, é muito difícil viver fora do padrão, do patriarcado. Eu sempre pensei diferentemente dessas ideias vigentes e, como ator, acho importante falar disso, colocar essas discussões em pauta e abordar esses temas. Muitas vezes, a pessoa não tem em casa o diálogo necessário. O certo é falarmos de emoção, de masculinidade, de sexualidades… Mas na maioria das vezes as pessoas crescem sem isso. Criamos uma sociedade com machos doentes, adeptos de uma masculinidade tóxica. Somos um dos países que mais mata trans, os índices de feminicídio são altíssimos, enfim, uma situação muito grave. Então, vir com esse entretenimento que gera tanta mobilização e que quebra esses padrões para levantar debates, maduros e saudáveis, é maravilhoso. Que ótimo que as pessoas estão falando de beijo grego e pesquisando sobre isso na internet. Que bom que alguém teve abertura para conversar sobre certos assuntos com a família graças à novela.

Por causa do personagem, Rainer passou a ver a vida com outros olhos e mudou sua percepção sobre aspectos como a própria sexualidade:

— Ele me ensinou sobre a liberdade de ser o que se é. De me sentir diferente e tudo bem. Me ensinou sobre a pura masculinidade. Porque ele é muito macho no sentido da segurança de ser o que quer, sem medo de julgamentos. É lição atrás de lição. Gostar de mim mesmo, não ficar preso aos padrões. Acho lindo pintar as unhas, e por que não? Essa questão de masculino e feminino é uma performance. Ele me ensina muito sobre fluidez na sexualidade. Hoje, eu posso amar pessoas. E tudo isso é muito livre e libertador. Você, que está lendo essa entrevista, seja quem for, acredite em você. Tudo o que sempre falaram que eu não era potente para ser como homem, de repente ele ( o personagem ) vem e me mostra que não é nada daquilo. Queria muito que as pessoas entendessem isso. Estamos juntos.

Giovanna (Agatha Moreira) vai ter momentos de intimidade com Visky (Rainer Cadete) (Foto: Reprodução/Instagram)
Giovanna (Agatha Moreira) vai ter momentos de intimidade com Visky (Rainer Cadete) (Foto: Reprodução/Instagram)

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