Renata Gaspar fala da morte de Stephany em 'Um lugar ao Sol', diz que já teve relação abusiva e conta que casou na pandemia

Renata Gaspar teve cenas difíceis como a Stephany, de “Um lugar ao Sol”. A personagem, vítima de violência doméstica de Roney (Danilo Grangheia), sofrerá feminicídio no capítulo desta quarta (16) (veja abaixo mais destaques da semana da novela).

— Foi uma noturna que fizemos em alguns dias. E as cenas foram bem intensas, pesadas de gravar, porque a gente sabe que esse tipo de coisa acontece muito. Eu ficava pensando a todo momento: “Caramba, tem alguém passando por isso agora” — admite a atriz.

Nos últimos meses, o papel na trama das 21h fez dezenas de seguidores buscarem a artista nas redes para comentar que sentiram o impacto das agressões à personagem:

— Pessoas diziam: “Passei por isso”. Outras: “Minha mãe passa por isso” ou “A cena em que o Roney se machuca na sua frente mostrou como aconteceu comigo”. Essa, especificamente, mostra um ciclo da violência. Quando o agressor se vitimiza, normalmente a vítima volta com ele. A própria personagem resistiu a denunciar. Ela praticamente foi obrigada pela irmã.

Ela relata que já viveu relacionamentos abusivos, mas crê que a diferença de gênero demarca importantes diferenças:

— Eu tive duas relações. É claro que não se compara à da novela porque era uma relação homossexual em que as forças estão equalizadas, diferentemente da heterossexual. E a base emocional das mulheres também difere. Entre homem e mulher existe um abismo de diferença. Isso que vivi foi realmente bem violento, de ambas as partes. Era como uma bomba que estourava quando nos juntávamos. As duas tinham personalidades muito raivosas. Eu tive uma infância com irmãos mais velhos, de apanhar dos pais. Então, falando de mim, tinha uma lógica de a agressão ter vínculos com relacionamentos. Parece que aprendi isso de alguma forma, apesar de nem todos os namoros terem sido assim.

Para se curar, Renata, de 36 anos, diz ter procurado conhecer a própria história:

— Procurei muito ter ajuda, fazer trabalhos de autoconhecimento para entender melhor de onde vinha isso. E tive que me responsabilizar também. Comecei a pensar: por que vou atrás desse tipo de pessoa? É necessário fazer um resgate de nós mesmos porque nossa essência não é violenta. Acredito que a gente, como sociedade, está evoluindo em consciência. Não se falava de amor como se fala hoje ou da necessidade da terapia. Estamos assumindo quem nós somos. Muitas vezes parece que estamos regredindo, mas creio que estamos avançando.

Hoje, a atriz vive um momento rico em afeto com a empresária Bebel Luz, com quem se casou na pandemia:

— Estamos juntas desde 2017 e decidimos casar em 2020. Moramos eu, ela e mais três amigos numa casa bem grande. Foi muito bom ter todos ali em tempos de quarentena. Aprendemos a nos relacionar, a compartilhar o que pensamos. Ficamos todos bem próximos.

Depois de finalizar a novela, a atriz está em cartaz em teatros paulistas com a trilogia da companhia Empório de Teatro Sortido, de Vinicius Calderoni. De “Não nem nada”, “A-rrã” e “Chorume”, ela faz parte da primeira e da última:

— Neste fim de semana vamos para o teatro Paulo Eiró, em Santo Amaro (São Paulo) e, no outro fim de semana, para o Teatro Alfredo Mesquita, em Santana, na Zona Norte. É uma loucura estar em cartaz com duas peças, tem muito texto, mas a gente consegue decorar como música!

Renata Gaspar e a mulher, Bebel Luz (Foto: Reprodução)
Renata Gaspar e a mulher, Bebel Luz (Foto: Reprodução)