Rivaldo e Alaíde: Por que Três Graças nunca precisou de um núcleo cômico

Três Graças transformou o núcleo cômico encabeçado pelo porteiro Rivaldo (Augusto Madeira) em mais um entrecho dramático na novela das 21h. Os autores demoraram a perceber que a trama não precisava de personagens paralelos engraçados, e o motivo estava nos próprios protagonistas.

É que, à moda de Aguinaldo Silva, as figuras centrais da história já são naturalmente engraçadas, sem que a verve cômica seja a única faceta a oferecer ao espectador. O público, afinal, já se diverte com Arminda (Grazi Massafera), Ferette (Murilo Benício) e até com Gerluce (Sophie Charlotte).

Esses personagens não estão necessariamente envolvidos em situações engraçadas, mas o texto extrai deles características que tornam o público íntimo de cada um deles. A graça está na forma como agem ou reagem, a seu modo, às dinâmicas em que estão inseridos.

Novelas, em geral, precisam de um alívio cômico, o que costuma ser jogado a núcleos paralelos. Um dos trunfos que colocam Três Graças acima da média das novelas recentes, é justamente nos envolver com os dramas narrados ali e, ao mesmo tempo, usar esses mesmos entrechos para nos fazer rir.

O roteiro sabe usar talentos como o de Arlete Salles (Josefa), que pode ir do drama à comédia na mesma cena, por vezes na mesma fala.

Isso não é uma novidade na obra de Aguinaldo Silva. É uma marca do autor desde Roque Santeiro (1985), que escreveu com Dias Gomes, uma novela essencialmente engraçada. O tom cômico foi ainda mais explorado em Tieta (1989) e outros trabalhos que vieram em seguida.

Uma das personagens de maior sucesso do currículo do novelista é a vilã Nazaré Tedesco (Renata Sorrah) de Senhora do Destino (2004). Assassina, sequestradora de bebês e femme fatale sem escrúpulos, a megera é lembrada até hoje por ter protagonizado momentos hilários em uma trama dramática.

Núcleo porteiro virou mais um entrecho dramático em Três Graças
Recentemente, o trio de autores transformou o núcleo cômico de Três Graças em mais uma trama paralela dramática. Antes às voltas com parentes folgados e tentativas de golpe, Rivaldo agora aparece preocupado com o filho Cristiano (Davi Luis Flores), diagnosticado com autismo.

Os personagens não vinham agradando a audiência. Tanto que Célio (Otávio Müller) se aproximou de Arminda e, assassinado pela vilã, foi cortado da trama. Em busca do paradeiro do marido, Chica (Rejane Faria), também já sumiu de cena, restando Alaíde (Juliana Alves), também envolvida no drama do menino.

A família, de fato, destoava um pouco do restante da novela. Eram sequências que pareciam alheias ao restante da história, uma dissonância que o trio de autores sabiamente soube reverter.

Três Graças é uma novela criada e escrita por Aguinaldo Silva, Virgílio Silva e Zé Dassilva, com direção artística de Luiz Henrique Rios.