Rodrigo Fagundes conta o que o levou a perder 19kg e lembra infância num meio conservador

Em "Cara e coragem", Rodrigo Fagundes interpreta Armandinho, o dono de uma agência de dublês que vive enrolado com contratempos no trabalho e com as cobranças das ex-mulheres. A história permite ao ator brincar com o humor e, em breve, também exigirá dele sagacidade para cenas de ação. Nos próximos capítulos, o personagem terá que se virar para substituir um funcionário numa gravação arriscada.

— É um personagem muito rico, numa temperatura em que as pessoas não estão acostumadas a me ver. No trabalho, ele é muito competente. Já na relação com as ex… É aí que ele vai precisar evoluir. É muito divertido trabalhar com os colegas de elenco. A gente chama de “novela abençoada” porque o clima nos bastidores é ótimo. Tive essa sorte em “Pega pega” e agora. A gente adora se encontrar. E o público sente essa energia — acredita.

O bom momento profissional alivia uma dor pessoal. Há 11 meses, Rodrigo perdeu a mãe, Maria de Lourdes, vítima de Covid:

— Isso me deprimiu muito. Ela estava ótima, foi infectada e morreu em oito dias. Minha mãe era minha fã número 1, soube que eu ia fazer a novela uma semana antes de ir embora. Então, estou gravando com mais amor ainda. É para ela. Sei que de algum lugar ela está vendo. No próximo mês, vai fazer um ano. Sei que será difícil. Mas gosto de me apegar aos sinais. Há algumas semanas, gravei o “Caldeirão” e coloquei a mão numa caixa. Ali estavam girassóis. Era sua flor preferida. E eu e meu irmão ganhamos R$ 18 mil vencendo o quadro. E precisávamos de R$ 16 mil mais R$ 2 mil para resolver questões do inventário. Essas coisas estão sempre acontecendo.

Desde agosto de 2021, Rodrigo já emagreceu 19 quilos. Além de ter ficado deprimido com a perda da mãe, o ator conta que a mudança aconteceu também por conta de uma alteração de hábitos após ouvir do médico que estava com esteatose hepática (popularmente conhecida como “gordura no fígado”):

— Eu estava muito sedentário. E médico falou: “Você tem que parar de beber”. E eu não bebo, não fumo, não me drogo. Só tomo drinks às vezes. Se faço isso duas vezes no ano, é muito. Parece que muita gente tem essa doença, mas a minha estava muito séria. Fiquei assustado. A endocrinologista me orientou a começar a caminhar. Também andei de bicicleta, entrei na natação. Até caratê eu fiz. Fui me empolgando.

Além de estar no ar na novela das 19h, Rodrigo pode ser visto num vídeo do YouTube do GNT em que mostra sua casa com Wendell Bendelack (confira abaixo). Juntos há 19 anos, os atores decoraram o apartamento com móveis antigos, objetos com referências a filmes de suspense e outros adereços curiosos. Ele conta que estava aflito para ver a repercussão das imagens:

— Eu estava com medo de abrir os comentários. Wendell falou: “Não lê! Para que vai fazer isso?”. Para a nossa alegria, não eram críticas pesadas. Uns 95% falando bem. Eu fiquei preocupado porque a gente é maximalista, acumulador mesmo (risos). Eu gosto muito de trazer da infância coisas de bonecos, de cinema. Muita gente pergunta como limpa aquilo tudo. A gente fica de olho. Quando ele espirra demais, já sabemos que está na hora de tirar o pó. E ali tem bastante coisa que, quando eu era pequeno, não podia ter. É uma história que me toca muito. Uma prima minha tinha várias bonecas. Eu queria brincar, e meu pai me batia, dizia que era coisa de menina. Eu não entendia bem. Venho de uma criação mineira, tradicional, machista. Fui cada vez mais sendo colocado no armário. Por ser um homem gay, ouvia muita coisa. Aí você vai crescendo e se aproximando das pessoas que fazem mais sentido.