TIME: "A maior parte da atuação é o que acontece nas entrelinhas. E Lady Gaga sabe exatamente o que colocar neste espaço."

Esqueça o sotaque. Lady Gaga está tremenda em House of Gucci.

Possivelmente o melhor momento nesse true crime á la rococo de Ridley Scott é quando a jovem datilógrafa ambiosa Patrizia Reggiani, convencida por Maurizio Gucci, um jovem tímido e charmoso, -que por acaso viria a ser herdeiro de um império- escreve seu número de telefone com um batom no visor da motocicleta do rapaz. Isso já é uma jogada de mestre por si só, mas o que vem a seguir é matador: ela passa o batom nos lábios e, sem a ajuda de um espelho, efetua um arco de cupido escarlate bem organizado em dois segundos. Qualquer um dos gestos por si só já seria memorável. Mas é a ligação perfeita dos dois, a passagem fácil do inventivamente prático para o sedutoramente frívolo, que é o verdadeiro trapézio. A maior parte da atuação é o que acontece entrelinhas. E Lady Gaga, a atriz que interpreta Patrizia em House of Gucci, sabe exatamente o que colocar naquele espaço.

Ninguém deve se surpreender que Gaga seja uma atriz tão cativante, tanto em House of Gucci quanto em seu ponto de virada no cinema, A Star Is Born, de 2018. Cantores costumam ser ótimos atores. Eles estão preparados para isso: todo canto é atuação, uma canalização de sentimentos ou experiências lembradas por meio do corpo, do diafragma, da boca. Uma canção é emoção desenhada no ar, convocada pela técnica. Reconhecidamente, trazer um personagem à vida em um palco ou tela requer um domínio um pouco diferente da arte, e nem todos os cantores podem dar o salto. Mas as habilidades essenciais estão lá. Como atriz, Gaga não é uma anomalia; ela é apenas a mais recente em uma longa linha de cantores que também tiveram performances incríveis na tela.

Ela personificou a visão de Patrizia primeiro como um gato doméstico, depois como uma raposa e, finalmente, como uma pantera, implacável até os ossos. Ler sobre a preparação de Gaga para sua personagem é muito divertido, mas é melhor pensar em seu metódo não como um sólido método de atuação, mas apenas como outro ângulo de sua arte performática - o equivalente a subir ao palco em um macacão de lantejoulas e asas de penas mais largas do que sua altura. A abordagem de Gaga para atuar pode ser um método, mas tem pouco a ver com o método, elaborado a partir de um conjunto de preceitos de desempenho estabelecidos pela primeira vez por Konstantin Stanislavski na Rússia czarista e, muito mais tarde, encorporado por atores que acreditavam que o caminho para a grande verdade significava andar por aí com roupas sujas por três meses.

No final, confie na história, não em quem a conta. Não importa como ela tenha chegado lá, a performance de Gaga em House of Gucci é tremendamente divertida e, em última análise, comovente, provavelmente com algum método descartável, já que a boa execução não é por causa dele. (No que diz respeito aos sotaques, lembre-se de que o filme se passa em grande parte em Milão e seus arredores, onde na vida real a maioria das pessoas estaria falando italiano. Em House of Gucci, todos falam em inglês, muitas vezes com um sotaque - então qualquer pessoa em busca de realismo aqui não sabe o que está fazendo.)

O desempenho de Gaga é maravilhoso porque ela está viva em cada momento. Patrizia e Maurizio se encontram em uma festa discoteca chique. Apesar de seus protestos alegando que não sabe dançar - verdade, ao que parece - ela o leva para a pista de dança, onde ele fica parado como um totem estranho enquanto ela dança ao redor dele. A Patrizia de Gaga é uma sedutora de porte trabalhando com um feitiço de sereia que, com a ajuda de um pouco de perseguição moderada, acabará por torná-la uma Gucci. No entanto, em seu vestido brilhante, com seu sorriso ansioso e bumbum de cupcake, ela é inegavelmente adorável. Nessas primeiras cenas, a ambição de Patrizia e sua sinceridade estão tão entrelaçadas que você não consegue ver onde uma termina e a outra começa. Ela é simplesmente uma jovem que quer mais, sem realmente saber o que mais é.

As habilidades de comunicação de um grande cantor vão muito além de nós, meros mortais. Os cantores geralmente sabem como se mover, como colocar seus corpos para funcionar em uma linguagem que vai além das palavras. E mesmo que eles não possam literalmente fazer contato visual com milhares de espectadores ao mesmo tempo, eles são acostumados a criar essa ilusão. Da mesma forma, Doris Day, cuja voz combinava as melhores qualidades do meio-dia e do anoitecer, pode ter sido mais conhecida por suas comédias efervescentes, algumas leves como a penugem do dente-de-leão. Mas ela também deu algumas performances dramáticas formidáveis: como a cantora Ruth Etting em Love Me or Leave Me (1955) ou como a mãe perturbada de uma criança sequestrada em The Man Who Knew Too Much (1956), apenas para citar. Às vezes, quando o público quer alguma coisa de você - como a luz do seu sol - eles subestimam sua capacidade de refletir sua luz na lua.

Cher, Mick Jagger, Ice Cube, Janelle Monáe: a lista de cantores que também são atores fantásticos é longa, mesmo que alguns não tenham aparecido em tantos filmes quanto desejaríamos. Com apenas três anos entre os principais filmes -e com uma pandemia e uma debut performance midiática, por assim dizer- Gaga pode estar seguindo um caminho amplo o suficiente para abrir espaço para uma carreira dupla de cantora e atriz. Sua atuação em A Star Is Born foi uma espécie de glissando entre conjuntos de habilidades. Como Ally, uma cantora que saltou de trabalhar em restaurantes para lotar shows em estádios, Gaga deu uma performance gloriosa em sua nudez. Sem sua maquiagem estilo Cleópatra showgirl no palco e fantasias de instalação de arte -marcas registradas da persona Lady Gaga, e parte do que a torna tão provocante como artista- Gaga se tornou totalmente crível como a cantora vizinha com um sonho.

Em seu maximalismo descarado, House of Gucci é um tipo diferente de filme, tão fortemente bordado quanto uma jaqueta de bombardeiro de Alessandro Michele. Gaga, de uma forma estranha, é a que define o tom. Vemos como em uma cena inicial, como a ainda não glamorizada Patrizia, ela rapidamente mascarou seu constrangimento quando, ao encontrar o intimidante “patriarca” Gucci pela primeira vez (interpretado porJeremy Irons), ela confunde um Klimt com um Picasso. No meio do filme, vestindo Reynard e com ombreiras dos anos 80, ela manipula o marido -que não precisa de muito convencimento- para expulsar os membros da família peso morto do negócio. E no final, ela se tornou uma assassina de olhos vazios, alguém cuja crueldade floresceu de sua vulnerabilidade como uma flor preta manchada. Gaga faz todos os movimentos certos para transitar de um gato doméstico à raposa e pantera. Mas ela não desvendou nenhum novo segredo -para si própria- que já não estivesse em sua bagagem. Do verso ao refrão, da ponte ao final dramático, o caminho -que ela iria seguir- sempre esteve lá, escrito nas respirações entre as notas.

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fiquei sabendo que já estão buscando um segundo katycat no twitter pra tombar a time

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@littlemonsters venham ver mais um massacre na nossa Gaguinha, to chorando muito

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Entreguem o best actress

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Lembrando que a Stephanie é presidente da NYFCC, uma 4 associações de críticos mais respeitadas de lá

To muito ansioso, certeza que surroi a Ally só pelos trailers

A framboesa vem eu juro kkkk

Lady Gaga fracassada b-list escorada em tudo e todos medíocre sem talento


ela perdeu demais, já estou procurando o t0rr3nt de spencer pra massacrar essa coitada comparando com a maior de todas Kristen e ganhar muitas reações de morta

mas o crítico do G1 massacrou, acabou pra ela

Haters vem aqui

Gente mas o crítico do G1 me prometeu que ele mesmo iria pessoalmente entregar o framboesa nas mãos da gaguinha

Kristen melhor atriz no Oscar, amamos

Mas o G1 prometeu massacre

Sem credibilidade

Essa gnt vê filme dublado e quer falar algo

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Lady Gaga teve raves da presidente do NYFCC e do NSFC. Os críticos mais intelectuais aclamando

Não meus amores e esse massacre no método de atuação da Gaga, matou essa fanfiqueira

Essa crítica da TIME é bem respeitada. A Gaga venceu demais

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ela venceu