TRABALHADO NO DEBOCHE: Murilo Benício alfineta machistas com papel em Pantanal: 'Não dá para aliviar'

Murilo Benício está disposto a cutucar os machistas com seu personagem em Pantanal. Ele vai adicionar um estoque de humor, mas afirma que o público identificará os Tenórios que estão por aí. O ator não teme ser cancelado por interpretar um embuste da pior qualidade. “Não dá para aliviar porque, infelizmente, existe esse tipo de homem, que é tudo que a gente já tem como ultrapassado”, diz o intérprete.

Aos 50 anos, Benício quer fazer sucesso com o trabalho no remake, mas espera alcançar uma baita repercussão recheada de críticas ao comportamento do fazendeiro. Ele conta que sua primeira conversa com o autor da trama, Bruno Luperi, foi exatamente sobre como buscariam negativar o personagem juntamente ao telespectador.

Eu acho que vai ser uma boa forma de espelho para uma parcela de pessoas que ainda não conseguiu evoluir nesse lugar que grande parte da sociedade já se encontra hoje", declara o galã, que continua a explicar a pegada de deboche ao machismo que desenvolverá em cena.

“Apesar do humor que a gente quer implantar, o Tenório está dentro de tudo que é errado. Para ele, existe a versão dele, o sentimento dele, a verdade dele, e eu defendo ele, criticando-o ao mesmo tempo”, comenta.

Quando o artista fala que o defende, é pela história que a sua criatura tem até chegar ao ponto em que será retratado na novela das nove. Aos poucos, os telespectadores ficarão a par de que Tenório é um sobrevivente. Ele é filho de boia-fria e viu os pais morrerem em um acidente de caminhão no qual ele também estava indo trabalhar no canavial.

É uma pessoa de uma realidade muito dura e, quando os pais dele morreram, ele tinha 13 anos de idade. Mas se tornou também uma pessoa muito bruta, com valores muito questionáveis. É um cara que, antes de tudo, pensa em sobreviver. As atitudes e tudo que ele faz para alcançar esse objetivo são absolutamente irreais para quem vê de fora.

Sem referências do passado
Para alfinetar, o intérprete carregará nas “tintas fortes” com a esperança de que os machistas se enxerguem e tenham vergonha. Benício não viu a versão original do folhetim porque morava nos Estados Unidos entre 1989 e 1991 --na ocasião, o personagem foi vivido por Antônio Petrin.

Eu ouvi muito falar da repercussão de uma novela que fez muito sucesso fora da Globo, que virou esse fenômeno. E eu não quis assistir agora, porque eu achei que eu iria imitar ou ficaria querendo fazer diferente, me obrigando a fazer diferente. Ia ser uma cobrança que podia atrapalhar o meu trabalho. Eu achei que estaria mais livre se eu não tivesse nenhuma referência. Foi só por causa disso que eu não quis assistir nada.

Questionado se rola uma pressão maior por ser uma nova versão de um sucesso, o ator responde que sim. Ele sinaliza que uma novela que já existe e que todo mundo conhece, carregando ainda um carinho especial pela história e que há muita expectativa envolvida.

Escrita por Benedito Ruy Barbosa, a novela Pantanal foi exibida em 1990 pela extinta Manchete (1983-1999). O remake da Globo é adaptado por Bruno Luperi, neto do dramaturgo.

Diferentemente de outros folhetins inéditos que estrearam no ano passado, a história não está totalmente gravada e poderá sofrer alterações no roteiro conforme a recepção do público. Entretanto, Luperi já escreveu todos os capítulos, e a trama deve ficar no ar até a segunda quinzena de outubro.

capaz de se identificarem com o personagem, igual o Capitão Nascimento

1 curtida

Jackson Antunes disse que na época de a favorita ele ficava chocado que muito homem chegava nele e elogiava o personagem dele. O personagem agredia e humilhava a mulher