TV HISTÓRIA: Rebaixado, autor João Emanuel Carneiro terá que se reciclar para voltar a brilhar na Globo

A vida de um autor de novelas não é fácil, embora muito bem recompensada com gordos salários. Enquanto estão com alguma produção no ar, a vida dos escritores é voltada exclusivamente para a elaboração de capítulos e mais capítulos de trama. E, obviamente, quanto mais folhetins no currículo, maior a chance de ocorrer repetições de histórias.

Adriana Esteves

Até porque a tentação de usar novamente um recurso que funcionou anteriormente é imensa. Portanto, todos os autores acabam se repetindo. Inevitável.

Mas o caso de João Emanuel Carneiro desperta uma certa preocupação. Afinal, ele tem ”apenas” seis novelas no currículo. Um pouco cedo para tamanha falta de criatividade.

João Emanuel Carneiro

Recentemente rebaixado pela Globo, perdendo espaço na faixa das nove para Travessia, de Glória Perez, e enviado para o Globoplay, várias situações vistas em sua última novela da Globo, Segundo Sol, foram parecidíssimas com outras produções do escritor e muitas com seu maior sucesso: o fenômeno Avenida Brasil, de 2012. Mas com um impacto infinitamente menor.

Falta de originalidade

Segundo Sol

Tanto que todas as reviravoltas do folhetim não deixaram marcas ou promoveram cenas memoráveis. Pelo contrário, evidenciaram a falta de originalidade de João e a deficiência do enredo, que anda em círculos através de situações repetidas exaustivamente. A tradicional virada do capítulo 100 (ocorrida, na verdade, no 103) foi uma das principais provas.

Luzia (Giovanna Antonelli), para não sair da rotina, caiu em outra armação dos vilões e foi se encontrar com Remy (Vladimir Brichta) para tentar descobrir o paradeiro da filha (que na verdade é filho). Ela acabou sendo vítima do famigerado golpe do Boa Noite Cinderela e acordou ao lado do corpo do vilão, todo ensanguentado, e segurando uma faca banhada em sangue. A mocinha entrou em desespero e logo depois chegou Beto (Emílio Dantas), flagrando a cena macabra.

Avenida Brasil

A cena ficou muito aquém do esperado e foi impossível não lembrar do icônico momento em que Nina (Débora Falabella) acordou segurando uma enxada cheia de sangue e com o corpo de Max (Marcello Novaes) ao seu lado, dando um grito assustador. Foi um dos melhores ganchos de Avenida Brasil. Claro que os contextos são distintos, mas a similaridade é evidente.

O enredo envolvendo Nice (Kelzy Ecard) e Agenor (Roberto Bonfim) também lembrou outra grande novela do autor: A Favorita, de 2008, atualmente exibida no Vale a Pena Ver de Novo. Como esquecer o drama de Catarina (Lilia Cabral), que sofria constantes agressões do violento marido Leonardo (Jackson Antunes)? Os atores brilharam na época.

A Favorita

João tentou se copiar até antes da trama, vide a situação envolvendo Domingas (Maeve Jinkings) e Juca (Osvaldo Mil) em A Regra do Jogo (2015). Porém, aquela tentativa fracassou totalmente. Em Segundo Sol, pelo menos, o contexto foi mais atrativo, embora não tenha chegado nem perto da já citada A Favorita. A diferença foi a não violência física. Agenor agredia a esposa verbalmente, mas o conjunto se assemelhou bastante.

Tentativa fracassada

Avenida Brasil

Até a família de Beto foi uma tentativa fracassada de reeditar a clássica família Tufão, de Avenida Brasil. Se antes a diversão era uma constante na história de 2012, em Segundo Sol foi quase impossível esboçar qualquer sorriso com as trapalhadas de Clóvis (Luis Lobianco) e Gorete (Thalita Carauta), ou as idas e vindas de Naná (Arlete Salles) e Dodô (José de Abreu).

Por sinal, o autor também tentou copiar esse contexto em A Regra do Jogo, através do núcleo da família falida de Feliciano (Marcos Caruso). Novamente não funcionou.

Inclusive, um integrante da família de Segundo Sol protagonizou outra situação presente em todas as novelas do autor: o triângulo gay/hétero que sempre resulta em um trio amoroso no final.

Avenida Brasil

A relação de Maura (Nanda Costa) e Selma (Carol Fazu) nunca chegou a ser bem construída, mas ao menos tinha alguns momentos de sensibilidade. Depois que Ionan (Armando Babaioff) foi chamado para doar esperma, tudo naufragou.

Como era de se esperar, a policial traiu a esposa com o então amigo e as situações se mostraram cansativas e inverossímeis – vide Selma se sentir culpada pela separação, mesmo sabendo da traição. Os três repetiram o caso de Suelen (Isis Valverde), Roni (Daniel Rocha) e Leandro (Thiago Martins) em Avenida Brasil – ou então Tina (Karina Bacchi), Abelardo (Caio Blat) e Thor (Cauã Reymond) em Da Cor do Pecado (2004).

Colcha de retalhos

Da Cor do Pecado

Outra prova da falta de criatividade do autor foi a cena de Karola vagando pelas ruas, desnorteada, após ter sido desmascarada. Com medo de ser escorraçada por Valentim (Danilo Mesquita), a personagem começou a apresentar sinais de loucura.

Sua conversa com uma mendiga lembrou imediatamente a fase em que Carminha pegou uma garrafa de cachaça e pediu para o motorista de um caminhão tocar pro inferno, em Avenida Brasil. Ou, então, a caminhada sem rumo de Bárbara (Giovanna Antonelli), toda suja, em Da Cor do Pecado.

Segundo Sol não empolgou em virtude da colcha de retalhos que virou a história de João Emanuel Carneiro, expondo a necessidade do autor se reciclar. Não adianta copiar várias situações que deram certo em suas novelas passadas em uma nova produção que não apresenta nem um terço dos atrativos das anteriores. Parece um folhetim sem alma.

Após algum tempo na geladeira, a Globo faz bem em colocar o autor no Globoplay, onde poderá ousar com um enredo mais pesado e enxuto – sua experiência com a macabra série A Cura (2010) foi irretocável. Infelizmente, foi necessário afastá-lo do horário nobre por uns tempos.

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Logo a globo volta com esse lixão de novo, porque a globo tá sem opões melhores e o walcyr não vai dar conta de tudo sozinho

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o textão só pra dizer que o jec ta no globoplay e precisa se reinventar

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Logo o jec volta com ‘‘ex gay’’ em pleno 2025

Ele teve várias chances

Se a Shonda deu conta de sustentar a ABC por 2 décadas quase o Walcyr com colaboradores consegue também

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A galera mantém autores horríveis no casting e punem logo o JEC

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enquanto isso o bruno luperi ganhando novela própria

A bomba

medo de como ele vai sustentar uma novela kkkkkkk

sem o texto do vovô eu nao consigo

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Vai fazer o povo ter saudade de Um Lugar ao Sol

O povo força que a novela ir pro Globoplay é uma mega rebaixamento, mas uma hora um autor grande teria q lançar algo direito lá kkkkkkk A Globo tá tratando o Globoplay como prioridade, não iriam colocar um who para lançar a primeira novela direto da plataforma…

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Mas old q entre Gloria e Walcyr, o JEC é a opção mais segura para levar pro Globoplay kkkkkk

Já teve o Walcyr com Verdades Secretas 2 e ninguém julgou ele.

Se a divulgação for boa acho que rende bem

Sim kkk Mas VS foi continuação, essa é a primeira do 0 mesmo, né? kkk

Imagina se colocassem a Glória? Ela faz histórias muito diferentes e sempre anda junto com o público, para ela seria um bug estrear em stream desse jeito kkkk

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Mas o Walcyr ta sempre reciclando coisas que deram certo

achei esse texto tendencioso, embora bem analítico dos plots repetitivos

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mds chamou o jec de adele da teledramaturgia brasileira

ele se perdeu tanto. eu revi avenida brasil dia desses e ele tem muitos erros e coisas q envelheceram mal, mas o plot nina e carminha segurava muito. uma pena pq acho ele muito inteligente, mas não aguento ele inventando cura gay nas novelas, por exemplo.

Segundo Sol uma das piores novelas que já vi
E eu tava animado por se passar em salvador, mas foi um mico. Só prestou o Chay Suede e a Lety Colin

É, mas ele tem muitas novelas no currículo, então meio que é normal isso acontecer
Fora que tem o rolê de que o JEC é pretencioso e e o Walcyr não

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