Vilão de 'Nos tempos do imperador' lembra vida antes da TV: Trabalhei em hospital, na rua, em picadeiro, vivia em feira hippie...

Danilo Dal Farra, intérprete do vilão Borges em “Nos tempos do imperador”, já trabalhou como palhaço em hospital e em sinais de trânsito. Amigo de Domingos Montagner, que morreu há cinco anos, e de sua família, ele tem formação teatral e circense e já rodou cidades do país em companhias artísticas.

— Não fiz aquele circo tradicional dos picadeiros. A gente participava de festivais, também fazia espetáculos em lonas, em praças, mas com uma estrutura não tão roots como a do circo tradicional. Vivi, sim, aquela relação familiar que a lona traz, de as crianças irem se interessando pelos trabalhos dos pais. É algo muito gostoso essa integração. Estar na televisão veio para mim com essa vontade de, ao me ver como uma figura caipira e artista de rua, levar esse tipo para a TV. Venho de uma formação artesanal, tenho família com alguns artistas. Estudei na Unicamp e me formei como palhaço. Trabalhei em hospital, na rua, em picadeiro, vivia em palco, feira hippie… Continuei como ator e fui expandindo no sentido de querer fazer tudo o que atuar me permitisse. Pesquisei comédia, dança Butô… Sempre tive vontade de experimentar cinema e TV — diz ele, que tem 45 anos.

O artista já namorou a atriz Vanessa Gerbelli e é divorciado da mãe de sua filha, Antonia, de 6 anos. Quando não grava a novela no Rio, ele vai a Embu das Artes, em São Paulo, ver a família.

— Sou separado. Hoje somos eu e minha filha. Tenho uma chácara em Embu das Artes, ela mora com a mãe e eu a vejo quando o trabalho permite. É uma saudade avassaladora. Lá em São Paulo vivo essas recordações da minha infância. E eu sempre quis dar isso a ela. Os padrinhos da Tonica são palhaços, ela se apresenta desde pequenininha também, acompanha ensaio, esse universo lúdico, de possibilidades do fantástico.

Gravar “Nos tempos do imperador” na pandemia, com protocolos e menos integrantes no camarim, fez o artista se lembrar de como era o dia a dia no circo, com coletividade e demandas a cumprir:

— A TV tem uma estrutura grande. No início, no teatro, a gente montava arquibancada, luz…
No circo, você toca, interpreta, canta…

Quando a novela terminar, Danilo quer seguir em frente com projetos no cinema ou no teatro:

— Eu gosto de me desafiar. Me interessa não entrar num lugar cômodo. Brinco que minha formação é uma colcha de retalho. Pulo de uma linguagem para a outra.

Danilo Dal Farra e a filha Antonia, de 6 anos (Foto: Reprodução)
Danilo Dal Farra e a filha Antonia, de 6 anos (Foto: Reprodução)