Vladimir Brichta fala do trabalho com a filha em 'Quanto mais vida, melhor!'

“Presentaço”. É assim que Vladimir Brichta encara a oportunidade de trabalhar pela primeira vez com a filha Agnes. Em “Quanto mais vida, melhor!”, ele é Neném, pai de Tina, a personagem dela:

  • É a chance de ver uma jovem atriz desabrochando. Acompanhar isso é um privilégio. Muitas fichas estão caindo aos poucos. Hoje posso dizer que o trabalho dela é muito bom. Quando estava fazendo, não conseguia ter esse distanciamento. Achava que era, percebia uma atriz pensante, extremamente comprometida, dedicada e com entendimento ótimo da personagem. Mas não conseguia ter essa dimensão. Às vezes não consigo ter com colegas de trabalho. Com a minha filha, então… Hoje eu assisto e penso: “Que coisa legal, não percebi tal coisa, que ela contava a história de tal forma”. Isso me encanta.

Com a estreia deles na novela, as buscas no Google pela mãe de Agnes dispararam. A atriz é filha da cantora Gena Karla Ribeiro, que morreu de uma doença rara em 1999, quando ela tinha apenas 2 anos. Na época, Vladimir e a avó de Agnes disputaram a guarda. O ator conta como lida com esse crescente interesse do público acerca de um período difícil de sua vida:

  • Não me incomoda nem um pouco. Daqui a um ano, não estarei falando disso. Não gostaria de falar para sempre, mas entendo absolutamente a curiosidade das pessoas. Todo mundo que acompanhava TV e o meu trabalho e que tem mais de 30 anos vai se lembrar do que passou, da mãe, da avó… Escutei muita gente na época, foi uma comoção. Na rua, eu encontrava pessoas que falavam que estavam empáticas à minha situação, que tinham passado por algo parecido. Havia uma proximidade. Empatia é uma coisa muito valiosa, que salva a humanidade da barbárie. Passou muito tempo desde então e, de repente, surgiu minha filha. Claro que vão se lembrar da história da guarda e querer relembrar. Vão ficar empáticas de novo. Esse movimento eu acho genuíno, orgânico. E só aconteceu por causa da boa aparição da Agnes. Sou suspeitíssimo para falar, mas agora resolvi falar (risos) .

A alegria que se manifesta no ator ao falar da filha é a mesma que norteia a história de Mauro Wilson. Com uma trama leve que preza pelos momentos cômicos, a obra funciona, na opinião de Brichta, como um alívio em tempos tão difíceis. Determinado a descontrair os lares dos telespectadores, ele revela que decidiu não se arriscar no papel:

  • Quando fui chamado, ia voltar a fazer novela de humor depois de muito tempo. Passei cinco anos no “Tapas & beijos”, mas novela assumidamente de humor não fazia há anos. Talvez a última tenha sido “Kubanacan”. “Rock story” não considero, era mais uma aventura romântica. Então, voltar para o horário das 19h com humor era uma coisa que me interessava. No entanto, assim que topei, veio a pandemia. E também a tristeza profunda em todo mundo por razões óbvias. Meu maior desafio não era só desenferrujar o humor. Estava difícil ver graça nas coisas e chegar a um humor que de fato divirtisse e comunicasse. Havia uma nuvem sobre nós, com todas as mazelas que a gente enfrentava e ainda enfrenta. Cobrei de mim que fizesse as escolhas mais acertadas possíveis. Gosto de compor personagem, e o humor permite que se componha mais, mas não queria que o desafio pessoal me fizesse correr o risco de dar errado. Queria muito que as pessoas se divertissem. Sei o quanto comediantes me deixaram feliz ao longo da pandemia. Achava que eu tinha esse compromisso. Tentei fazer com os recursos que tenho e principalmente vibrar de um jeito que o público conhece. Não quis diferenciar muito de outros trabalhos, apesar de enxergar diferenças. Não reconheço ali o Armani (de “Tapas & beijos”) , por exemplo. Mas tem um timing que pertence a mim e do qual eu não queria abrir mão em hipótese alguma.

Como se sabe, um dos quatro protagonistas vai morrer no final. Conforme o site noticiou esta quarta-feira (29), Neném é o mais cotado. O ator conta que não tem problemas de ver um personagem deixando o enredo:

  • Eu não sofro, não. Em “Segundo Sol”, meu personagem, Remy, ia morrer no capítulo cem. Eu me lembro que o Dennis (Carvalho, diretor) falou no dia da leitura: “Vai se preparando, não fica triste, não”. E eu falei para o João (Emanuel Carneiro, autor) : “Pode me matar, não tenho o menor problema com isso”. Só não queria morrer no capítulo um ou dois (risos) . Acho que a morte conta uma história também. Se for o Neném, está tudo certo. Vai ter um bom motivo. Claro que o assunto morte é delicado. A gente está estreando uma novela no fim de uma pandemia que levou muita gente. Esse é um assunto sensível, sempre foi. Mais importante do que quem vai morrer é de que forma se vai contar isso. Minha preocupação é que seja feito de forma leve, mais poética e lúdica, para que não seja traumático para o público.

https://kogut.oglobo.globo.com/noticias-da-tv/noticia/2021/12/vladimir-brichta-elogia-trabalho-da-filha-em-novela-e-fala-da-disputa-pela-guarda-apos-morte-da-mae-dela-pessoas-tiveram-empatia.html

morto q eu as vezes via e ficava megrah em como tinham arranjado uma atriz parecida com ele pra viver a filha
e no final das contas é filha biológica mesmo