VOX: Como Britney Spears explica a imagem pública de Taylor Swift

COMO BRITNEY SPEARS EXPLICA TAYLOR SWIFT

By Constance Grady@constancegrady Feb , 2024, 6:30am EST

Constance Grady is a senior correspondent on the Culture team for Vox, where since 2016 she has covered books, publishing, gender, celebrity analysis, and theater.


Existe uma espécie de fenômeno envolvendo Taylor Swift no momento. E tudo isso está beirando a saturação de imagem. Esse ano, Taylor se tornou a primeira pessoa da história a ganhar o prêmio de “Álbum do Ano” no GRAMMYS e aproveitou o momento para roubar todas as atenções e anunciar seu próximo álbum. A sua turnê quebradora de todos os recordes está viajando por todo o globo e em novembro, uma versão filmada do concerto, se tornou a maior arrecadação em um filme de show de todos os tempos.

Em um midiático romance com a estrela do futebol Travis Kelce, Taylor dominou todos os noticiários com especulações se ela iria ou não ver ele jogar no Super Bowl, o que tornou essa discussão mais relevante que o próprio jogo. Taylor Swift está presente em tudo no momento, incluindo em espaços onde provavelmente ela não gostaria de estar.

Em Janeiro, imagens pornográficas dela super reais e feitas por Inteligência Artificial viralizaram no Twitter, tendo sido produzidas em fórums de 4chan. O 404 afirmou que Taylor Swift vem sendo um dos alvos mais populares desde 2017 a terem sua imagem associada a pornografia, quando a tecnologia de Inteligência Artificial em imagens se tornou popular. Enquanto isso, conservadores discutem que Taylor Swift e seu poder de influência foram potencializados pelo governo dos Estados Unidos para gerar um grande impacto quando ela anunciar um eventual apoio a reeleição de Biden.

“Eu estou querendo saber quem vai ganhar o Super Bowl próximo mês”, postou o político republicano Vivek Ramaswamy no Twitter em Janeiro. “E também quero saber se teremos a propaganda presidencial vindo através de um artificial e culturalmente arranjado relacionamento de um casal nesse Outono. Apenas especulando por aqui, vamos ver se vai durar mais do que os próximos 8 meses.”

Normalmente, quando estrelas da música com o mesmo arquétipo de Taylor (branca, loira e extremamente feminina) alcançam grande impacto (globalmente reverenciada como uma super estrela) é comum escrever sobre elas como produtos de pais controladores e produtores gananciosos. Ainda assim, Taylor fez tudo isso impossível de se pensar pelo grande público. Ela lançou um documentário que mostra cenas discutindo com seu pai sobre escolhas de imagem e na carreira. Ela até brigou publicamente com sua antiga gravadora e então começou a regravar seu catálogo musical para que tivesse controle total sobre suas músicas.

Taylor Swift passa a imagem que “está no controle” central de sua imagem desde o início. Agora, o nível de controle da Taylor sobre ela mesma parece desafiar pessoas a inventar teorias sobre sua vida pessoal e criar imagens comprometedoras de IA, um lugar onde ela não tem qualquer controle sobre sua carreira e corpo.

Isso nos leva a uma volta no tempo para ver uma mulher em uma situação totalmente oposta e que assim como Taylor, era ameaçada por observadores masculinos. Britney Spears esteve notoriamente fora do controle e foi publicamente punida por isso.

A Trajetória de Britney Spears é uma que claramente a Taylor estudou. Taylor falou frequentemente em entrevistas sobre observar o declínio de outras estrelas Pop para ver o que poderia aprender com eles. “Enquanto as crianças assistiam programas de televisão normais, eu via o ‘Behind the Music’”, disse ela a GQ em 2015. Taylor Swift lançou seu primeiro álbum em 2006, quando a Britney publicamente começou a entrar em um espiral.

Observando a Taylor no início da carreira – quando ela estava sempre com vestidos brancos fofinhos e cantando sobre não ser vulgar como as outras garotas – dá a impressão que a Taylor tinha a Britney em mente sobre quem ela não queria ser. A carreira dela foi construída numa direção oposta ao que a Britney representava.

Ao analisar as duas, Britney Spears e Taylor Swift formam quase um par de espelhos colocados na frente um do outro. Opostos que tem muita coisa em comum. Elas foram as princesas do Pop virginais que se tornaram rainhas do seu gênero. Elas são as mulheres em que uma estava muito em controle e a que ficou totalmente fora dele.

Britney é antecedente da Taylor. Analisando sua carreira, vemos o que torna a estratégia de imagem da Taylor de estar em total controle é necessária e como ela foi punida por ser assim.

Quando Taylor Swift lançou seu primeiro álbum em 2006 e começou seu caminho no cenário musical, ela estava determinada em se mostrar uma “boa garota”. Ela iria manter essa imagem firmemente pelos próximos anos.

“Em uma tarde ensolarada em Los Angeles, Taylor Swift está se comportando bem, como sempre”, diz um profile da cantora para Rolling Stone em 2009 com o título “A vida cor de rosa e perfeita de Taylor Swift”. Na época, ela tinha 19 anos e falava sobre se recusar a pintar o cabelo, fumar ou beber.

Na entrevista, Taylor se recusa a comentar sobre sua vida sexual. “Sinto que tudo o que disser sobre isso vai fazer as pessoas te imaginarem nua.”

Taylor passava a impressão que o seu status de “boa garota” era algo a se orgulhar. “É um elogio sobre você”, diz Taylor para New Yorker em 2011. O artigo a cita como um “modelo” a ser seguido em um mundo dominado por Lindsays Lohan e Amys Winehouse. “Isso é baseado nas escolhas que você faz na sua vida”, diz Taylor. Ela estava determinada que suas decisões sempre seriam as melhores.

Em 2008, Taylor lançou “Fearless” e teve dois grandes hits “Love Story” e “You Belong With Me”. Era uma estrela em ascensão e com isso a pressão aumentou consideravelmente. Em uma entrevista para o Washington Post, falou sobre o medo que tinha de estragar as coisas e o quanto queria que seus fãs e os pais dela tivessem orgulho e que nunca sucumbiria ao abuso de substâncias, como aconteceu com uma determinada Popstar.

“Em hipótese alguma quero decepcionar meus pais. E eu nunca quero decepcionar meus fãs. Eu não quero influenciar essas garotinhas que eu vejo na frente do palco em fazer coisas estúpidas. Coisas que poderiam ser evitadas e que seriam completamente minha culpa. Quando as pessoas passam por problemas de uso de drogas e álcool, todo mundo aponta o dedo e diz: “Você fez isso para você mesmo.” Eu não quero ser essa garota. Na primeira vez que você fizer bobagens, a partir dali, as pessoas vão ficar aguardando qual será sua próxima atitude errada. Eu não quero que as pessoas olhem para mim como alguém que não pode ser levada a sério. Porque eu sou. Minha carreira é a única coisa que eu penso. É mais forte que qualquer álcool, droga ou qualquer outra coisa. Então porque fazer isso, sabe? Eu acho que tenho a vantagem sobre as pessoas de Hollywood porque eu saio toda noite e olho pros meus fãs nos olhos. Eu sei que eu preciso ser um bom exemplo para eles. Toda noite, estou em lugar diferente e olho essas garotinhas e suas mães e isso é um lembrete constante de porque eu quero viver dessa forma.”

A polêmica Conservadoria sobre a vida pessoal e profissional de Britney Spears começou em 2008 após o errático comportamento de Britney em público e a massacrante cobertura midiática de suas atitudes nas capas de revista. “O que você fez foi desrespeitoso com os poucos fãs que tem restam”, escreveu Perez Hilton após Britney se apresentar no VMAs 2007.

Taylor, a boa garota que estudou a cartilha do Pop, ia no caminho inverso da queda de Britney Spears. Ela era a garota virginal. Ela permaneceria longe de substâncias. Ela não seria fotografada em suas partes íntimas durante uma saída do carro ou rasparia seus cabelos. Ela iria permanecer em controle de como o mundo a via, sempre.

A estratégia foi assertiva para Taylor. “Ela vem sendo chamada de ‘Namoradinha da América’: Ela raramente bebe, não fuma, não é festeira ou foi presa – E essa imagem limpa fez dela uma representante atrativa para Target, Sony, CoverGirl, Keds, Elizabeth Arden e mais recentemente para a Diet Coke.”, diz a Vanity Fair em artigo de 2013;

O combo de imagem de boa garota parecia fazer Taylor algo raro e quase que sem precedentes. “Ela nunca sexualizou sua imagem e parece aversa a controvérsias”, disse a GQ. “Não há simplesmente nenhum antecedente desse tipo na música: Uma carreira que transcende gêneros musicais, bom exemplo pra juventude e criticamente aclamada por suas intuitivas composições. É como se fosse uma mistura de Garth Brooks com Liz Phair. Um fenômeno. É algo absolutamente novo.”

Ela não era nada parecida com quem a antecedeu. Ela era como uma anti-Britney.

Quando Britney Spears começou sua carreira, ninguém parecia considerar ela como alguém que viria a ficar fora do controle. Britney era uma boa e doce garota que faria tudo o que sua gravadora diria e era constantemente descrita como alguém muito boa de se trabalhar, e sim, tinha o a voz sedutora de uma Deusa. Ela era cuidadosamente controlada e mostrava isso.

Britney foi alguém extremamente boa. “Ela não é apenas uma super garota”, diz Jon Pareles no New York Times em 1999. “Britney é também muito obediente, canta as músicas e faz todas as coreografias que foram feitas para ela. O Pop exige comprometimento e em sua versão jovem dá a adultos o que parece ser uma fantasia: Beleza, comportamento perfeito e adolescentes extremamente motivados que na fantasia das fantasias farão tudo o que você disser.”

A própria Britney parecia ter noção da sua imagem de boa garota. Em uma reflexão sobre fama para a Rolling Stone em 1999, Britney queria – assim como Taylor 10 anos depois – ser um bom exemplo para seus fãs.

“Você quer ser um bom exemplo para as crianças e não fazer coisas erradas”, disse Britney com 17 anos. “Muitos jovens tem problemas com autoestima e com a pressão disso vão para o caminho errado. É aí que coisas ruins acontecem, como drogas e essas coisas.”

Ainda que Taylor Swift tenha feito escolhas influenciadas pelo que veio antes, Britney tinha menos habilidade em controlar a forma que o mundo a via. “Eu nunca soube como ‘jogar o game’. Eu não sabia como me apresentar em qualquer nível.”, diz Britney Spears em seu livro de memórias lançado em 2023.

A medida que Britney se tornou uma estrela global, ela parecia estar um pouco mais confiante e madura. Ela começou a se impor contra opiniões contrárias. O público reagiu com horror.

“Ela agora tem um piercing e uma tatuagem e também responde críticas”, disse Pareles em 2000 para o NY Times, descrevendo a transformação da Britney de “garota paroquial escolar do primeiro vídeo” em “alguém feminina que usa hot pants e blusas reveladoras”.

“Princesa do Pop Britney Spears: Muito sexy rápido demais?”, dizia a revista People do mesmo ano em sua capa. “As crianças amam ela, mas sua imagem deixa as mães nervosas.”

Uma vez que Britney experimentou uma imagem mais madura, não parecia que ela tinha controle sobre de que forma o público começou a olha-la e fetichizar.

Em 2000 para a revista Rolling Stone, Britney disse que nunca foi sua intenção ter uma imagem sexual e o jornalista Chris Mundy questionou sobre aparecer na capa da revista em um shoot provocante.

“É tudo sobre fazer fotos e fazer um personagem. É como na TV, se você olha a Jennifer Love Hewitt ou a Sarah Michelle Gellar matarem alguém, você acha que isso significa que elas vão sair por aí fazendo isso?”

Um tempo depois, Britney fez a transição de boa garota para bad girl.

Em 2007, Britney estava vindo de um divórcio e uma conturbada disputa pela guarda dos filhos. Ela também iria mais tarde admitir que estava lidando com uma intensa depressão pós-parto. Britney começou a se comportar estranho. Ela gritava com paparazzis com um sotaque britânico, raspou o cabelo e atacou o carro de um paparazzi com um guarda-chuvas.

Britney entrava e saída de reabilitações. Os Paparazzis estavam lá em absolutamente todos os momentos, documentando tudo e estimulando comportamentos erráticos.

No seu livro, Britney explica que parte do seu comportamento na época era uma reação contra o alto controle que ela sofria desde a adolescência.

“Raspar o cabelo foi uma forma de dizer ao mundo: “ Foda-se! Você me quer bonita para você? Foda-se. Você quer que eu seja boazinha com você? Foda-se. Você quer que eu seja a garota dos seus sonhos? Foda-se. Eu fui a boa garota apor anos, sorri educadamente para apresentadores de TV fazendo piada sobre meus seios, enquanto pais diziam que eu estava destruindo as suas crianças por mostrar a barriga e empresários apertavam a minha mão enquanto questionavam a minha carreira, mesmo que eu tenho vendido milhões de cópias. Minha família agia como se eu fosse o diabo. E eu estava cansada de tudo isso.”

O resultado da breve rebelião foi a Conservadoria pelo crime de estar fora de controle. Britney perdeu todo o controle sobre sua vida pessoal, profissional e financeira do dia para noite.

A determinação da Taylor Swift em não se tornar Britney Spears serviu muito bem por cerca de 18 anos de vida pública. Mas também foi alvo de muitas críticas contra ela.

Nos fim dos anos 2000, a narrativa de que Taylor fazia “Slut shaming” contra outras garotas surgiu e ela foi considerada uma “má feminista”. Tudo começou com a letra de “Better than Revenge”, mas isso não pareceu manchar sua imagem com o grande público.

“Tipo, se pessoas querem ouvir a Taylor Swift, tudo bem.’, escreveu Jude Doyle em 2009 em artigo. “Eu pessoalmente não consigo apoiar esse personagem infantilizado, bobo e puro usando vestido branco. Sempre ele! O virginal vestido branco. A loira de olho azul. Isso parece tão artificial e calculado assim como outras estrelas Pop fizeram, mas adicionando o modelo de superioridade moral ao estilo das mulheres dos anos 50. Mas não finja que acham a Taylor Swift intocável. Dizendo a garotas sobre como elas serem sexuais irá faze-las prostitutas que nunca serão bem-sucedidas. Isso não é fofo. Nem vindo da doce Taylor Swift”.

Nos anos 2010, a polêmica envolvendo Taylor é que ela era uma farsa. Nunca aparecia em fotos de paparazzis que não fossem perfeitamente posadas, não era vista em público com amigos ou namorados que não seguissem o seu modelo de marca. E que o senso de controle sobre sua imagem era tão intenso que era quase impossível de testemunhar.

“Minha principal reclamação com Taylor Swift é que ela não é mais o que a mídia manipulou tão bem ela parecer – dá pra ver as cordinhas de marionete, escreveu Amanda Dobbins no Ringer em 2016. “Você vê claramente o fotógrafo contratado para seguir ela e seus amigos durante o final de semana. Isso é tão patético.”

Quando Kim Kardashian expôs Taylor em uma suposta mentira em 2016, ela não poderia ter feito em um melhor timing. Taylor Swift era uma cobra, uma fraude, uma mentirosa e todo mundo tinha que saber isso.

Britney estava muito fora do controle e foi punida apor isso. Agora, Taylor estava muito no controle e também estava sendo punida.

Os ataques contra a Taylor Swift em 2016 foram intensos. Ela passou o ano seguinte não permitindo que qualquer pessoa a visse em público: O remédio para o problema de ser considerada controladora. Iria durar mais dois álbums para que ela recuperasse totalmente sua imagem dos danos a sua reputação e voltar ter a admiração pública do seu lado.

Atualmente, Taylor está no topo do mundo novamente. Maior do que já era. Seu status atual representa uma sociedade que não confia em mulheres poderosas. A paranóia em torno dela parece exigir que alguém – de preferência um homem – tome o controle dessa garota. Seja sendo planta do governo ou uma estrela pornô, mas ela certamente não pode ser tão famosa e independente ao mesmo tempo. A punição contra ela está em andamento.

Se os anos 2000 foi uma época onde não existia um jeito certo de ser uma mulher, os anos 2020 nos mostram que as garotas que aprenderam a lição dos “millenials” irão continuar sabendo que: Não existe um jeito certo de ser uma mulher, também.

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o tamanho

@B-Armys @Swifties

eu li essa materia e ate compartilhei no grupo q eu tenho com outros fas da taylor (ngm leu kkk

mas é mto bem escrita e explica muita coisa da industria musical

1 curtida

Sim! Eu fiquei em choque

lê pra mim

o prólogo do tortured poets desse tamanho

vou esperar a netflix fazer uma adaptação

basicamente mulheres poderosas incomodam muito

qualquer passo que deem fora do controle dos homens é motivo pra acender um alvo na testa

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AMIGO! Te amo <3

gente eu vou adaptar no tik tok e posto aqui viu

já venho

a diferença é que a taylor sempre geriu a propria carreira e a familia dela nao é de sanguessugas, mas a obsessao midiatica pelas duas é igual mesmo e a midia so nao acabou com a taylor como acabou com a britney por conta do motivo que ja descrevi

16 curtidas

pena que nem dá pra dizer que a britney foi uma mulher poderosa no mesmo sentido que dizemos que a taylor ou a bey são, já que ela sempre foi vitima da familia e nunca exerceu esse poder como a taylor e a bey fazem

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amiga vc estava SUMIDA

é em relação a midia no geral, tanto a brit quanto a taylor tiveram e ainda tem suas reputaçoes colocadas em jogo

O textão

Taylor rainha do pop!

Jurou que alguém vai ler

jss povo preguiçoso, tem nem 10 paragrafos a materia

é para ler?

qdo sair nos cinemas assisto