Entre sintetizadores sofisticados e vocais envolventes, “The One” brilha como uma das faixas mais elegantes e atemporais do repertório de Kylie Minogue. Lançada como single em 29 de Julho de 2008, a música faz parte do álbum X (2007), um marco na carreira da artista após seu retorno aos palcos e estúdios depois do tratamento contra o câncer.
A base de “The One” foi criada por produtores suecos (Laid + Emma Holmgren), e Kylie reconstruiu a letra e adaptou a música com sua equipe criativa, inclusive com Stuart Price envolvido no desenvolvimento inicial da demo do álbum X. A versão original tinha vocais masculinos e outra estrutura.
Composta por um verdadeiro time de peso incluindo Kylie, Richard Stannard e a dupla sueca Freemasons, “The One” é um convite sedutor à conexão, ao desejo de ser visto e escolhido. Sua produção mistura o eletropop sofisticado dos anos 2000 com referências nostálgicas da disco e do synth-pop dos anos 80, criando um clima noturno, etéreo e irresistível.
Apesar de sua recepção calorosa por parte dos fãs e da crítica, “The One” nunca teve o destaque comercial que merecia. Seu lançamento foi discreto, com um videoclipe mais conceitual do que promocional, feito com gráficos e imagens de turnê. Mas talvez isso tenha feito a música se tornar ainda mais cultuada uma “deep cut” que virou tesouro entre os lovers de Kylie.
Em diversas entrevistas e bastidores da era X, foi revelado que Kylie e parte de sua equipe criativa consideravam “The One” uma das faixas mais fortes e sofisticadas do álbum, e ela gostaria que fosse o primeiro single oficial da nova fase pós-tratamento.
No entanto, a gravadora (Parlophone) optou por seguir outro caminho, escolhendo “2 Hearts” como carro-chefe. A ideia era trazer um impacto visual e sonoro mais “rock glam” e ousado, marcando o retorno da artista após o câncer. Mas isso dividiu opiniões — muitos fãs consideram “2 Hearts” um desvio da identidade pop eletrônica que o álbum tinha como essência.
Em retrospectiva:
- Kylie já comentou com frustração leve sobre a ordem dos singles em entrevistas.
- Críticos e fãs frequentemente afirmam que “The One” teria sido uma escolha mais alinhada com o que o público esperava após a era Fever e Body Language.
- A sonoridade elegante, emocional e eletrônica da faixa representava melhor o espírito do álbum como um todo.
Desempenho de “The One” nos charts:
Embora seja considerada uma das faixas mais elegantes de X, “The One” não teve grande sucesso comercial — muito por conta da falta de promoção:
Reino Unido (UK Singles Chart)
- Pico: #36
- Vendas foram principalmente digitais, já que não houve lançamento físico no país.
- Foi o único single do álbum X que não entrou no Top 20 no Reino Unido.
Nos palcos, a canção encontrou seu lugar. Em performances memoráveis, como na X2008 Tour, Kylie a transforma em um momento de pura magia, onde luzes, movimentos e batidas se unem numa experiência sensorial completa.
Hoje, “The One” é mais do que uma música: é um símbolo da resiliência artística de Kylie, da sua sofisticação como performer e da sua capacidade de transformar até as faixas mais subestimadas em clássicos emocionais e dançantes.