25 anos de "Glitter", 8° álbum de Mariah Carey | Clássico subestimado ou tragédia iminente ?

Após o lançamento do álbum “Butterfly” em 1997, Carey começou a trabalhar em um projeto de filme e trilha sonora intitulado “All That Glitters”. No entanto, a Columbia Records e Carey também estavam trabalhando em uma coletânea de grandes sucessos para ser lançada a tempo do Dia de Ação de Graças em novembro de 1998. Carey colocou “All That Glitters” em espera, e sua coletânea de grandes sucessos “#1’s” foi lançada em novembro de 1998. Carey colocou o projeto em espera novamente para gravar seu álbum “Rainbow” (1999).

Depois que o álbum foi finalizado, Carey queria terminar o projeto do filme e da trilha sonora. Nessa época, porém, Carey e seu ex-marido Tommy Mottola, o chefe da Columbia, não tinham mais um bom relacionamento, nem profissional nem pessoal. Mottola queria Carey fora da gravadora, e Carey queria sair; no entanto, ela ainda devia mais um álbum à Columbia para cumprir seu contrato. A Virgin Records interveio e ofereceu-se para pagar à Columbia 20 milhões de dólares para libertar Carey do seu contrato antecipadamente, para que pudessem assinar com ela um contrato de 100 milhões de dólares.

Carey assinou com a Virgin e tinha como objetivo concluir o projeto do filme e da trilha sonora. Como parte de seu contrato de US$ 100 milhões para cinco álbuns com a Virgin Records, Carey recebeu total controle criativo. Ela optou por gravar um álbum influenciado pela disco music dos anos 1980 e gêneros similares para combinar com o cenário do filme. Conforme a data de lançamento se aproximava, os títulos do filme e do álbum foram alterados de “All That Glitters” para apenas “Glitter”. No início de 2001, o relacionamento de Carey com o cantor latino Luis Miguel terminou enquanto ela estava ocupada filmando “Glitter” e gravando a trilha sonora.

Sob a pressão do término, da transição para uma nova gravadora, das filmagens de um filme e da gravação de um álbum, Carey começou a sofrer um colapso nervoso. Ela postou uma série de mensagens perturbadoras em seu site oficial e exibiu comportamento errático durante várias aparições promocionais. Musicalmente, “Glitter” diferiu notavelmente dos trabalhos anteriores de Carey, sendo fortemente influenciado pela década de 1980. Como o filme original se passa em 1983, a trilha sonora focou em recriar um som mais antigo, incorporando as baladas pop - R&B características pelas quais Carey era conhecida.

Embora alguns críticos tenham apreciado o estilo retrô do álbum e a inclusão de melodias sampleadas, muitos sentiram que “Glitter” carecia de originalidade e que o excesso de artistas convidados ofuscava o talento artístico de Carey. Em uma entrevista à MTV News, Carey descreveu o conteúdo e as influências do álbum, observando: “Há músicas que definitivamente vão levar as pessoas de volta no tempo e fazê-las pensar: ‘Nossa, essa música dos anos 80 — eu adorava quando era mais jovem’. Ou pessoas que nunca ouviram as músicas antes podem pensar: ‘Que legal’. Quando você assistir ao filme, verá as músicas animadas e as regravações, como elas soariam nos anos 80, mas o álbum é do jeito que eu faria o disco agora, e as baladas podem brilhar sozinhas como músicas de um álbum da Mariah Carey.

O filme “Glitter” teve um desempenho fraco nas bilheterias e a trilha sonora sofreu com vendas lentas. Consequentemente, a Virgin invocou uma cláusula contratual que permitia à gravadora rescindir seu contrato de US$ 100 milhões com Carey mediante o pagamento de uma indenização de aproximadamente US$ 28 milhões. Posteriormente, a Virgin dispensou Carey de seu catálogo, motivada pelas baixas vendas de discos e pela publicidade negativa em torno de sua hospitalização. Durante as negociações de acordo, os representantes de Carey pediram que ambas as partes descrevessem publicamente o projeto como tendo sido “cancelado”.

Menos de 24 horas depois, a Virgin emitiu um comunicado declarando que havia “rescindido” o contrato e pago a Carey US$ 28 milhões. A equipe jurídica de Carey ameaçou entrar com um processo, com o advogado Marshall Grossman chamando a conduta da Virgin de “deplorável”. A Virgin argumentou que o valor de US$ 28 milhões representava apenas a indenização de saída, excluindo os US$ 23,5 milhões que a gravadora já havia pago sob o acordo pelo único álbum produzido. A Virgin também ameaçou entrar com um contraprocesso por difamação em resposta às declarações da equipe de Carey. A disputa foi finalmente resolvida fora dos tribunais. Logo depois, Carey viajou para a Itália para uma estadia de cinco meses.

Quase duas décadas após seu lançamento, “Glitter” passou por uma reavaliação crítica e desenvolveu o que chamamos de “clássico cult”. Kara Brown, da Jezebel, elogiou a trilha sonora, observando: “Mariah estava à frente de todos nós e a hora é agora”. Mike Wass, do Idolator, descreveu “Glitter” como “um disco incompreendido” e o chamou de “uma das maiores injustiças da música pop do século 21”. Daniel Welsh, da MSN, deu um feedback positivo ao álbum, escrevendo que “o brilho de Glitter não foi apreciado por muito tempo”. Em um artigo para a Complex, Michael Arceneaux descreveu o projeto como "a homenagem perfeita aos anos 80 ". Escrevendo para a Vulture, Dee Lockett caracterizou o disco como “indiscutivelmente à frente de seu tempo, mesmo sendo uma homenagem à disco”.


Loverboy (feat. Cameo)


Escrito e produzido por: Mariah Carey, DJ Clark Kent, [Larry Blackmon & Thomas Jenkins].

4,283,819 streams no Spotify.

Sample: “Candy”, 1986, Cameo.


O lead single da era representa uma tentativa deliberada de aproximar o pop e o R&B de Mariah de uma estética mais dançante, sensual e fortemente influenciada pelo funk e pela disco music. Desde seus primeiros segundos, “Loverboy” apresenta uma atmosfera festiva. A produção aposta em uma base rítmica pulsante, sintetizadores, vocais sobrepostos e elementos de funk que remetem à música negra norte-americana das décadas anteriores. A participação do Cameo é particularmente importante nesse aspecto: o grupo traz para a canção uma referência direta ao funk dos anos 1970 e 1980, contribuindo para que a faixa tenha uma sonoridade diferente daquela que o público estava acostumado a associar às grandes baladas de Mariah.


Lead The Way

Escrito e produzido por: Mariah Carey & Walter Afanasieff.

9,975,263 streams no Spotify.

Construída em torno de uma ideia simples, mas emocionalmente eficaz: o amor surge de maneira inesperada e faz a pessoa abandonar antigas certezas. Mariah começa questionando como duas pessoas que talvez não esperassem se encontrar acabaram juntas. Aos poucos, a música revela que esse encontro representa muito mais do que uma paixão passageira. A pessoa amada passa a ser apresentada como alguém que oferece um sentimento de pertencimento.


If We (feat. Ja Rule & Nate Dogg)

Escrito por: Mariah Carey, Damion Young, Howie Hersh, Ja Rule & Nate Dogg.

Produzido por: Mariah Carey & Damion Young.

2,399,539 streams no Spotify.

A primeira impressão causada por “If We” é de sedução. A produção não precisa ser explosiva para chamar atenção. Seu ritmo é cadenciado, envolvente e construído para criar uma sensação de proximidade. Existe algo quase cinematográfico na maneira como a música se desenvolve: ela parece acontecer durante a noite, em um ambiente de intimidade, onde as possibilidades de um relacionamento são sugeridas mais do que afirmadas. O próprio título, “If We”, concentra a essência da composição. O “se” introduz uma possibilidade e, ao mesmo tempo, uma tensão. A música não parte da certeza de um relacionamento; ela imagina o que poderia acontecer caso duas pessoas decidissem se entregar à atração que existe entre elas.


Didn’t Mean To Turn You On

Escrito por: Jimmy Jam & Terry Lewis.

Produzido por: Mariah Carey, Jimmy Jam & Terry Lewis.

2,735,696 streams no Spotify.

Em vez de apresentar uma composição original, Mariah revisita uma música que já possuía uma história importante dentro do R&B e do pop: o sucesso “I Didn’t Mean to Turn You On”, originalmente gravado por Cherrelle em 1984 e posteriormente popularizado também pela versão de Robert Palmer. A composição original pertence a uma época em que o R&B, o funk e a música pop estavam cada vez mais próximos. Sua temática também se encaixa perfeitamente na personalidade de Mariah naquele momento: sensualidade, atração e uma certa ambiguidade entre inocência e provocação.


Don’t Stop (Funkin’ 4 Jamaica) [feat. Mystikal]


Escrito por: Mariah Carey, DJ Clue, Mystikal, Toni Smith & [Tom Browne].

Produzido por: Mariah Carey & DJ Clue.

1,343,838 streams no Spotify.

Sample: “Funkin’ for Jamaica (N.Y.)”, Tom Browne, 1980.

Ao lado de Mystikal, Mariah abandona temporariamente a imagem da grande intérprete de baladas e mergulha em uma produção marcada pelo funk, pelo hip-hop, pelo dance-pop e por uma estética tropical que dá à música uma personalidade bastante diferente do restante de sua discografia. Não existe aqui a pretensão de construir uma narrativa sentimental complexa ou apresentar uma grande performance vocal. O objetivo é colocar o ouvinte em movimento. A música quer ser divertida, provocante e energética — e, nesse aspecto, é uma das experiências mais livres do álbum.


All My Life

Escrito por: Rick James.

Produzido por: Mariah Carey & Rick James.

1,670,804 streams no Spotify.

Em um disco marcado por referências à disco music, ao funk, ao R&B e ao hip-hop, a canção representa um retorno a uma das áreas em que Mariah sempre demonstrou enorme domínio: a balada amorosa. Entretanto, “All My Life” não é uma balada construída para o sofrimento ou para a separação. Sua emoção nasce da descoberta. A música fala sobre encontrar alguém que parece preencher uma ausência que existia havia muito tempo. É uma declaração de amor baseada na ideia de que a pessoa finalmente encontrou aquilo que procurava. Essa perspectiva dá à faixa uma atmosfera calorosa e esperançosa.


Reflections (Care Enough)


Escrito por: Mariah Carey & Philippe Pierre.

Produzido por: Mariah Carey, Jimmy Jam & Terry Lewis.

2,039,805 streams no Spotify.

Enquanto boa parte do álbum se divide entre nostalgia, sensualidade, dança e romance, “Reflections (Care Enough)” mergulha em sentimentos muito mais dolorosos: abandono, rejeição, solidão e a necessidade de ser verdadeiramente amado. É uma música que funciona em dois níveis. Dentro do filme, acompanha a história de Billie Frank e sua relação complicada com a mãe. Fora dele, pode ser ouvida como uma reflexão muito mais universal sobre pessoas que cresceram sentindo falta de amor, atenção ou reconhecimento.


Last Night a D.J. Saved My Life (feat. Busta Rhymes, Fabolous & DJ Clue)

Escrito por: Michael Cleveland.

Produzido por: Mariah Carey & DJ Clue.

1,483,382 streams no Spotify.

A faixa é uma releitura da música homônima, clássico originalmente gravado pelo grupo Indeep em 1982. Ao recuperar uma música tão associada à cultura das pistas de dança, Mariah estabelece uma ligação direta com o conceito do álbum: revisitar diferentes momentos da música popular e reinterpretá-los através de uma produção contemporânea. A premissa da canção é simples e extremamente eficaz. Depois de uma noite emocionalmente ruim, a música e o DJ aparecem como uma espécie de salvação. A pista de dança se transforma em um lugar de fuga, onde problemas pessoais podem ser temporariamente esquecidos.


Want You (feat. Eric Benét)

Escrito por: Mariah Carey, Jimmy Jam, Terry Lewis & Sounds of Blackness.

Produzido por: Mariah Carey, Jimmy Jam & Terry Lewis.

1,029,287 streams no Spotify.

A música não fala sobre um amor já consolidado nem sobre uma relação destruída. Ela se concentra naquele momento intermediário em que a atração já existe, o desejo é evidente, mas os sentimentos ainda estão sendo descobertos. O título, “Want You”, é extremamente direto e funciona quase como uma confissão: “eu quero você”. Não existe uma tentativa de esconder ou disfarçar esse desejo. Mariah reconhece aquilo que sente e, ao longo da música, deixa claro que existe uma forte vontade de se aproximar daquela pessoa.


Never Too Far


Escrito e produzido por: Mariah Carey, Jimmy Jam & Terry Lewis.

6,138,268 streams no Spotify.

Construída como uma balada contemporânea de andamento lento, o que torna “Never Too Far” especialmente bonita, porém, é a letra. Diferentemente de muitas canções de Mariah sobre relacionamentos, ela não está realmente falando sobre conquistar alguém ou tentar recuperar um relacionamento que terminou. A música parte de uma realidade muito mais dolorosa: existem pessoas que continuam presentes em nossa memória mesmo quando já não podem fazer parte da nossa vida. A ideia central está no próprio título. Essa pessoa pode estar fisicamente distante, pode ter partido ou pode simplesmente não poder mais voltar, mas emocionalmente nunca está “longe demais”. A distância física não consegue apagar aquilo que foi vivido.


Twister

Escrito por: Mariah Carey, Jimmy Jam, Terry Lewis & Sounds of Blackness.

Produzido por: Mariah Carey, Jimmy Jam & Terry Lewis.

923,993 streams no Spotify.

Íntima e delicada, o próprio título, “Twister”, é uma das escolhas mais interessantes da música. A palavra remete literalmente a um tornado, algo que surge, destrói, desorganiza tudo ao redor e depois desaparece. Essa imagem funciona como uma metáfora extremamente eficiente para uma pessoa ou experiência que entra na vida de alguém e causa uma transformação profunda. O tornado não precisa permanecer para deixar marcas. Depois que ele passa, o cenário nunca é exatamente o mesmo. Essa é uma das melhores maneiras de compreender a canção: alguém esteve presente, provocou sentimentos intensos e, quando foi embora, deixou para trás uma vida emocional completamente diferente.


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Desempenho Comercial.
“Glitter” estreou em #7 nos Estados Unidos com 111 mil cópias vendidas, muito abaixo das 323 mil vendas na primeira semana de seu lançamento de estúdio anterior, “Rainbow” (1999). “Glitter” tornou-se o álbum de menor sucesso comercial de Carey até então.
“Glitter” estreou em #10 no Reino Unido com 19 mil cópias vendidas em sua primeira semana.
“Glitter” possui 39,667,581 streams no Spotify, com base nos últimos dados do Kworb.
“Glitter” vendeu 2,468,000 de cópias, sendo o 13° maior álbum de 2001.
Platina nos Estados Unidos. :united_states:
Platina no Japão. :japan:
Ouro na Espanha. :spain:
Ouro na Suíça. :switzerland:
Ouro no Brasil. :brazil:
Ouro na França. :france:
Prêmios da era “Glitter”.
2 Stinkers Bad Movie Awards - “Worst Actress” & “Worst Song in a Film”.
1 Golden Raspberry Awards - “Worst Actress”.
1 Billboard R&B/Hip-Hop Awards - “Top R&B/Hip-Hop Single - Sales”.
1 Soul Train Music Awards - “Quincy Jones Award”.
1 World Music Awards - “Chopard Diamond Award”.
Extras.
Após o início da promoção de “Glitter” e o lançamento do primeiro single da trilha sonora, “Loverboy”, Carey embarcou em uma curta campanha promocional para a música e o álbum. Em 19 de julho de 2001, Carey fez uma aparição não anunciada no programa Total Request Live (TRL) da MTV. Quando o apresentador Carson Daly começou a gravar após um intervalo comercial, Carey começou a cantar “Loverboy” a cappella de trás de uma cortina. Enquanto Daly se dirigia à plateia, Carey entrou no palco empurrando um carrinho de sorvete enquanto vestia uma camisa masculina grande demais. Parecendo animada, mas ansiosa, Carey distribuiu picolés para os membros da plateia, acenou para os espectadores na Times Square e comentou em tom de brincadeira que a façanha era sua “terapia”. Ela então caminhou até a plataforma de Daly e fez um striptease improvisado, tirando a camisa para revelar um conjunto amarelo e verde justo, levando Daly a exclamar: “Mariah Carey perdeu a cabeça!” Embora Carey tenha declarado posteriormente que Daly estava ciente de sua presença no estúdio, ela reconheceu que ele fingiu surpresa para aumentar o efeito dramático para a televisão. Sua aparição no TRL atraiu intensa cobertura da mídia, com inúmeros comentaristas e veículos de notícias caracterizando seu comportamento como “problemático” e “errático”.
Ao longo de 2000, Carey escreveu e gravou material para “Glitter”, durante o qual desenvolveu o conceito de “Loverboy”. Originalmente, Carey sampleou a melodia e o refrão da música “Firecracker” da Yellow Magic Orchestra, de 1978, usando uma interpolação dela ao longo do refrão e da introdução. Nos primeiros trailers de “Glitter”, a versão original de “Loverboy” foi apresentada. Depois que Carey encerrou seu contrato com a Columbia Records, Jennifer Lopez foi contratada por Tommy Mottola e começou a gravar material para seu álbum “J.Lo” (2001). De acordo com o produtor musical Irv Gotti, Mottola sabia do uso do sample de “Firecracker” por Carey e tentou fazer com que Lopez usasse o mesmo sample antes que Carey pudesse lançar sua música. Na época, Carey ficou cada vez mais desconfiada de que executivos externos soubessem detalhes de “Glitter”, especialmente após as notícias do “roubo” do sample por Lopez. Quando as editoras musicais de “Firecracker” foram contatadas, elas confirmaram que Carey havia licenciado a amostra primeiro (e foi a primeira artista a solicitar uma licença para ela), enquanto Lopez a licenciou mais de um mês depois sob a direção de Mottola.
No final, Carey não conseguiu usar o sample original porque o álbum de Lopez estava programado para ser lançado bem antes de “Glitter”. Ela posteriormente retrabalhou “Loverboy” em torno de um novo sample: “Candy”, do Cameo. O sample de “Firecracker” foi eventualmente usado na música “I’m Real”, de Lopez. De acordo com Gotti, Mottola o instruiu a produzir o “Murder Remix” de “I’m Real” para emular de perto outra faixa de “Glitter” que ele havia produzido, “If We”, com os rappers Ja Rule e Nate Dogg. A versão original de “Loverboy” com o sample de “Firecracker” foi finalmente lançada no álbum de compilação de Carey de 2020, “The Rarities”.
Nos dias que se seguiram à sua aparição no TRL, Carey continuou a exibir um comportamento descrito como errático. Em 20 de julho, ela realizou uma sessão de autógrafos para o CD single de “Loverboy” no shopping Roosevelt Field, em Long Island. Diante de fãs e câmeras de notícias, ela falou de forma desconexa sobre vários assuntos antes de reclamar de como as piadas do radialista Howard Stern sobre ela eram profundamente perturbadoras, acrescentando que tudo na vida deveria ser positivo. A assessora de imprensa de Carey, Cindi Berger, interveio, tomando o microfone e pedindo às equipes de filmagem que parassem de gravar. Berger observou mais tarde: “Ela não estava falando claramente e não estava falando sobre o que tinha vindo falar: seu disco.” Alguns dias depois, Carey publicou várias mensagens de voz desconexas em seu site oficial: “Estou tentando entender as coisas na vida agora, então realmente não acho que deveria estar fazendo música agora. O que eu gostaria de fazer é tirar um pequeno descanso ou pelo menos dormir uma noite sem que alguém apareça me ligando sobre um vídeo. Tudo o que eu realmente quero é ser eu mesmo, e era isso que eu deveria ter feito desde o início… Eu não costumo dizer isso, mas quer saber? Eu não cuido de mim mesmo.
Após as mensagens terem sido rapidamente removidas, Berger afirmou que Carey estava “obviamente exausta e não pensando com clareza” quando as publicou. Dois dias depois, em 26 de julho, Carey foi internada em um hospital, alegando “exaustão extrema” e um “colapso físico e emocional”. Veículos de imprensa relataram rumores de que Carey havia ameaçado se automutilar na noite anterior e que sua mãe, Patricia, havia chamado os serviços de emergência. Quando questionada sobre relatos de ferimentos autoinfligidos, Berger explicou que Carey havia quebrado pratos por estar angustiada e cortado acidentalmente as mãos e os pés. Carey permaneceu hospitalizada em uma instituição não divulgada em Connecticut sob supervisão médica por duas semanas, seguidas por um longo período de afastamento da vida pública. Em abril de 2018, Carey revelou em uma entrevista à People que havia sido diagnosticada com transtorno bipolar II durante aquela hospitalização de 2001.
Após ampla cobertura da mídia sobre o colapso e hospitalização de Carey, a Virgin Records e a 20th Century Fox adiaram o lançamento do filme “Glitter” e de sua trilha sonora. Em 9 de agosto de 2001, foi anunciado que as datas de lançamento seriam adiadas em três semanas: a trilha sonora foi transferida de 21 de agosto para 11 de setembro, e o filme de 31 de agosto para 21 de setembro. Quando questionada sobre o adiamento, Nancy Berry, vice-presidente do Virgin Music Group Worldwide, comentou sobre o estado de saúde de Carey: “Mariah está ansiosa para poder participar tanto de seu álbum quanto de seus projetos cinematográficos, e temos esperança de que esta nova data de lançamento da trilha sonora lhe permita fazê-lo. Ela tem apresentado uma ótima recuperação e continua a se fortalecer a cada dia. A Virgin Music Worldwide continua a demonstrar seu compromisso e apoio absolutos a Mariah em todos os níveis.”
Refletindo sobre o fraco desempenho comercial do álbum, Carey atribuiu parte da dificuldade aos ataques de 11 de setembro. Ao discutir o momento do lançamento, ela afirmou: “Lancei o álbum em 11 de setembro de 2001. Os programas de entrevistas precisavam de algo para distrair a atenção do 11 de setembro. Eu me tornei um saco de pancadas. Fiz tanto sucesso que eles me destruíram porque meu álbum estava em segundo lugar em vez de primeiro. A mídia estava rindo de mim e me atacando.” Matthew Jacobs, da Vulture, observou: “duas dinâmicas estavam trabalhando contra [o filme] ao mesmo tempo: após o 11 de setembro, os americanos simplesmente não estavam indo ao cinema, e certamente não para ver o que havia sido apresentado como um entretenimento fútil sobre celebridades”.
Em 2017, Everett Brothers, da Billboard, classificou “Lead The Way” como a segunda música mais subestimada da discografia de Carey, com “There for Me” — um lado B do single de 2001 “Never Too Far/Hero Medley” — em terceiro lugar. Brothers argumentou que “Lead the Way” apresenta a “melhor performance vocal de Carey nos anos 2000”. Rich Juzwiak, do Gawker, classificou “Loverboy” em décimo oitavo lugar em sua lista dos melhores singles de Carey. Em um artigo de 2014 para o MySpace, Steven J. Horowitz elogiou a versão remix de “Loverboy” incluída na lista de faixas do álbum: “Mariah evocou os anos 80 e, relativamente, serviu de pano de fundo para versos envolventes de artistas populares do momento e amigos de longa data”. Horowitz classificou o remix em décimo primeiro lugar entre todos os remixes de Carey, enquanto Mark Graham, da VH1, o classificou em trigésimo lugar no geral em seu catálogo.
No início de 2026, “Glitter” foi removido de todos os serviços de streaming. Carey confirmou posteriormente que, para o 25º aniversário do álbum naquele ano, uma versão deluxe seria lançada. Uma versão deluxe do álbum, com 15 faixas adicionais, foi anunciada posteriormente e lançada em 30 de outubro de 2026.
Em novembro de 2018, “Glitter” foi o foco de uma campanha viral de fãs durante a promoção do décimo quinto álbum de estúdio de Carey, “Caution”. Promovida nas redes sociais com a hashtag #JusticeForGlitter, a iniciativa levou o álbum ao #1 nas paradas de álbuns do iTunes em vários territórios, incluindo os Estados Unidos, e ao top 10 mundial. Carey reconheceu e agradeceu aos fãs pela campanha nas redes sociais e em entrevistas. Mais tarde, ela incorporou um medley de músicas de “Glitter” na setlist de sua Caution World Tour como uma homenagem aos seus fãs.
“Loverboy” terminou como o single mais vendido de 2001 nos Estados Unidos, com vendas de 571 mil unidades, ficando aquém do mais vendido do ano anterior, que acumulou vendas superiores a um milhão de cópias.
O videoclipe de “Loverboy” recebeu críticas amplamente negativas, com muitos críticos considerando que Carey foi retratada de maneira excessivamente sexual. Um crítico do The Guardian criticou o vídeo, chamando-o de “excêntrico” e descrevendo a coreografia de Carey como “descontrolada”. Sal Cinquemani, da Slant Magazine, considerou o vídeo “brilhantemente exagerado”, enquanto um colunista anônimo da NME comentou que ele faria com que os espectadores do sexo masculino “se masturbassem” após assisti-lo. Em uma contagem regressiva dos “5 Videoclipes Menos Sexuais”, Priya Elan, da NME, incluiu o vídeo em terceiro lugar, escrevendo que a cantora “gira com a graça de olhos de louca de alguém que não dorme há 72 horas” (referindo-se à menção de Carey à insônia como motivo de seu colapso).
Carey não conseguiu filmar um videoclipe para o single “Never Too Far”; na época do lançamento, ela estava se recuperando de um colapso físico e emocional que a levou à hospitalização em agosto de 2001 e a fez cancelar todas as aparições públicas para promover “Glitter”. Ela disse: “Quando me perguntaram sobre o vídeo, eu disse: ‘Não posso fazer isso hoje’. E ninguém aceitou essa resposta. E foi aí que comecei a ficar brava. Eu pensei: ‘Olha, estou muito cansada. Estou extremamente exausta, não consigo fazer isso como um ser humano’. E ninguém estava ouvindo essas duas últimas palavras — ser humano. Eles estavam acostumados com a Mariah que sempre diz: ‘Vamos lá, vamos lutar, vamos nessa’. Eles simplesmente não estavam acostumados a me ver dizendo não. Eu nunca tinha dito não antes”. Em vez disso, um vídeo foi criado usando uma cena tirada diretamente do filme, onde Billie Frank (interpretada por Carey) canta a música no Madison Square Garden durante seu primeiro show com ingressos esgotados. A interpretação da música por Frank no filme omite toda a sua segunda estrofe, e o desenvolvimento da música ocorre em paralelo com a história de amor do filme.

Eu trabalhei muito, muito duro por muitos e muitos anos, sem nunca tirar férias, e no ano passado, eu simplesmente fiquei muito, muito exausta e acabei não estando bem física nem emocionalmente. Aprendi um pouco mais sobre como trabalhar duro, mas também como ser saudável e cuidar de mim mesma, e agora, no geral, estou em um momento muito bom e feliz da minha vida.

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  • Loverboy (feat. Cameo)
  • Lead The Way
  • If We (feat. Ja Rule & Nate Dogg)
  • Didn’t Mean To Turn You On
  • Don’t Stop (Funkin’ 4 Jamaica) [feat. Mystikal]
  • All My Life
  • Reflections (Care Enough)
  • Last Night a DJ Saved My Life (feat. Busta Rhymes, Fabolous & DJ Clue)
  • Want You (feat. Eric Benét)
  • Never Too Far
  • Twister
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amoo

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tópico lindo! parabéns doll

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obrigado moh

marca os lambs por favor

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hinario, te amo meu amor

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amo tanto esse pqp

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@Lambs venham apreciar

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sai foraa

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camp*

1 curtida

já tá disponível no spotify dnv?

ainda nao

o contexto não ajudou mas ia flopar do mesmo jeito pq é um álbum ruim

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Album LINDOOOOO
Venham meus @lambs

1 curtida

Álbum mais fora da casinha dela

Espero que um dinha tenha reconhecimento que merece

IF We >>>>>>> carreira da jlo

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totalmente injustiçado e carrega a má fame do filme sem nenhuma necessidade

um projeto megra ousado da Mariah, que fugiu até mesmo do R&B tradicional dela em vários momentos

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