A paraense Alane Dias define Camille, a antagonista do microdrama vertical “Quando o coração entra em campo”, do Globoplay, como a concretização de um grande objetivo profissional: sua estreia no universo das novelas. Musa da Acadêmicos do Grande Rio, ela, que também é bailarina, afirma que transferiu os dois anos de experiência nos desfiles da Sapucaí para a composição da vilã, que ostenta o posto de Rainha de Bateria na trama. A produção ainda não tem previsão de estreia.
Na história, Camille é uma influenciadora digital ambiciosa que busca capitalizar em cima do sucesso do jogador de futebol Rocca (Isacque Lopes), recém-convocado para a Seleção Brasileira. O envolvimento com a antagonista balança a carreira do atleta, que se vê dividido entre o universo sedutor da fama e o amor genuíno por Dandara (Heslaine Vieira).
— É um formato intenso para tudo: no roteiro e nas gravações. O balé contribuiu muito para me trazer esta experiência de lidar com a pressão, de trocar de figurino muito rápido. Teve um dia em que fiz uma cena toda fantasiada, com vários flashes, e, um tempinho depois, já estava gravando outra presa na cadeia, sem maquiagem e chorando, com o rosto borrado — relembra.
O desejo de atuar veio muito antes da fama conquistada no “Big Brother Brasil (BBB 24)”, reforça ela. Alane iniciou os estudos de teatro em 2018, ano em que venceu o concurso “Rainha das Rainhas”, em Belém, e começou a ganhar destaque nas redes sociais. Em 2023, ela se mudou para São Paulo com novos planos profissionais, porém enfrentou dificuldades financeiras.
— Meu sonho de ser atriz não nasceu depois do “Big Brother”. Entrei no programa com este objetivo; falava isso desde as seletivas para o Boninho. Queria ganhar, mas o meu foco lá dentro era fazer acontecer logo aqui fora. Tenho orgulho do programa; foi a partir dele que comecei a colher estes frutos. As pessoas costumam elogiar a minha estratégia, dizem que resolvi estudar. Como se o que é básico para mim fosse uma estratégia para os outros — conta ela, que se mudou para o Rio de Janeiro assim que deixou o reality.
Alane defende ativamente uma maior representatividade da Região Norte no audiovisual nacional e critica a rotulagem de produções de fora do Sudeste como “regionais”:
— Saber de onde sou é o que mais me dá energia, autoestima e direção. Por mais que eu estivesse perdida quando me mudei, nunca estive desnorteada, porque sempre soube para onde voltar. O Norte precisa ser muito mais retratado. Meu sonho como atriz é, daqui a um tempo, ter mais autonomia para construir narrativas que homenageiem a minha cidade. Quero poder escolher as histórias que vou contar.
Na vida pessoal, a atriz adota uma postura mais reservada. O relacionamento com o músico Fran Gil completou um ano em abril, pouco antes do primeiro aniversário de morte da mãe dele, a cantora Preta Gil, em 20 de julho.
Alane Dias relembra com carinho as poucas trocas que teve com a sogra, a quem já admirava antes do convívio familiar. A dançarina revelou manter o nome de Preta em “uma lista pessoal de mulheres inspiradoras” que cultiva há anos:
— O nosso contato foi curto, mas Preta significa para mim o que significa para todos nós, brasileiros. Me coloco em um lugar de contemplação pela força que o Fran e a família carregam para manter a presença dela viva. Lembro que, quando a conheci, dei um pedaço da corda do Círio de Nazaré para ela, que era uma mulher muito espiritualizada e cheia de fé. Em relação ao Fran, ele é o meu amor. Estou muito feliz. Nós dois somos reservados, mas nos admiramos muito e torcemos um pelo outro.