Licínio Januário e ao lado de Renato Góes — Foto: Leo Rosário e Angélica Goudinho/ Rede Globo/ Divulgação
Já diz a música de Emicida, presente na trilha sonora de “Vale tudo’’: “Quem tem um amigo (tem tudo)”. No caso do personagem de Luciano (Licínio Januário), a canção não vale. Com problemas em casa, o funcionário da TCA aceita dinheiro de Odete Roitman (Debora Bloch) em troca de passar a ela informações sobre a vida amorosa de Ivan (Renato Góes), de quem é fiel escudeiro.
— Família é família. Quando ele pensa na avó, aí o bicho pega. Eu também faço tudo pela minha família, mas não teria essa coragem do Luciano — reflete Licínio.
Com muitos amigos, o ator, de 34 anos, conta que jamais foi traído por um deles, como seu personagem vai fazer na história.
— Nunca levei uma rasteira dessas. Sou capoeirista, então não tem esse espaço — brinca, destacando: — Minhas amizades são bem sólidas. Ninguém me botou numa encruzilhada como essa em que Luciano coloca Ivan. Não sei como reagiria se isso acontecesse comigo.
Odete (Debora Bloch) convence Luciano (Licínio Januário) a ajudá-la em seu plano — Foto: Léo Rosario/Rede Globo/Divulgação
Apesar de prejudicar o parceiro ao expor para Odete a relação do administrador com Raquel (Taís Araujo), nos próximos capítulos da trama, Luciano se arrependerá da traição e confessará a Ivan o que fez.
Imigrante no Brasil
Nascido em Angola e morando no Brasil há 16 anos, Licínio tem uma família grande e tenta ajudá-la sempre que pode, assim como seu personagem. Apesar de o Brasil ser um país que o abraçou, o ator reflete sobre a resistência que alguns conterrâneos passam em nosso país.
— Todo angolano vive situações complicadas como a do Luciano no campo profissional. A comunidade africana que está aqui tentando trabalhar é supercompetente, mas tem limitações, com barreiras ainda maiores por serem negros. Graças a Deus, consegui ter estrutura — conta ele, que se inspirou em seu cunhado angolano, que trabalha num banco, para interpretar o executivo.
Licínio nunca mais voltou para sua terra natal, apesar de já ter viajado para os Estados Unidos e Inglaterra:
— Fiz minha vida no Brasil. Primeiro, vieram minhas duas irmãs, depois eu. Cheguei para fazer Engenharia Civil, curso que frequentei até o oitavo período. Mas toda minha construção enquanto artista foi feita aqui.
Quem é Licínio Januário, o Luciano de ‘Vale tudo’?
Ivan (Renato Góes) e Luciano (Licínio Januário) em ‘Vale tudo’ — Foto: Angélica Goudinho/Rede Globo
Pai ficou em choque
O pai de Licínio se incomodou quando soube que o filho havia desistido da Engenharia para ser artista, mas a situação familiar se resolveu quando o rapaz fez sua primeira novela, em 2018. “No começo, ele falou: ‘Que maluquice é essa?’. Quando fiz “Segundo sol”, o discurso mudou, apesar de ele permanece com medo. Pais de artistas têm receio por saberem da dificuldade da carreira”, afirma.
Guerra na Angola
A família do ator enfrentou a guerra civil angolana, que durou de 1975 até 2002. “Nasci num período difícil, com minha família na guerra. Meu pai nasceu num estado que foi devastado pela guerra e ele, com sua empresa de construção civil, ajudou a reconstruir”, conta.
Barreira vencida
Diferentemente de seus conterrâneos, Licínio não enfrentou dificuldade quando chegou ao Brasil. “Vim estruturado. Sei que não represento boa parte da galera africana que vem para cá trabalhar. Vim para cumprir o objetivo de dar continuidade à empresa do meu pai. Não deu certo para ele, tadinho (risos)”.
Amor desde criança
A relação do ator com o Brasil vem desde menino. Ele cresceu assistindo a novelas da Globo como “Da cor do pecado” (2004) e “Cobras & lagartos” (2006): “Sempre tive relação afetiva com o Brasil. A gente teve a referência do país através das tramas”.
Licínio Januário — Foto: Reprodução/ Instagram
Capoeira
Antes de ser ator, Licínio tomou gosto pela capoeira. Ele chegou a ser do mesmo grupo que os irmãos Simas.
Vida amorosa
Licínio mora em São Gonçalo com sua mulher, com quem vive há um ano. “Sou casadíssimo. Por enquanto, não no papel, ainda não fiz o pedido, mas vai chegar (risos)”, garante ele.