Arquiteta do POP: STEREOGUM incluiu "Vision of Love" na lista dos '20 #1's que mudaram a história da música POP'

A Stereogum está há 7 anos trabalhando em uma coluna especial que comemora os 60 anos da Billboard Hot 100 (atualmente já com 67 anos).

O objetivo da coluna é ter a árdua e longa tarefa de revisitar periodicamente todos os 1200+ hits que atingiram o topo da Hot 100 com uma matéria dedicada a cada um deles.
Dentre essas centenas de chart-toppers, o jornalista e historiador responsável pela coluna, Tom Breihan, escolheu os 20 #1s mais importantes da história da Billboard e publicou um livro de mais de 300 páginas sobre eles, contextualizando sua importância não só nas paradas de sucesso, mas na história e influência na música POP.

Tom dedicou um capítulo inteiro do livro a Vision of Love, o single de estreia de Mariah Carey, além de já ter escrito a matéria sobre o single alguns anos atrás.

Dentre os 20 singles, destacam-se: I Want to Hold Your Hand (Beatles), Billie Jean (Michael Jackson), When Doves Cry (Prince), Where Did Our Love Go (The Supremes), Dreams (Fleetwod Mac), You Give Love a Bad Name (Bon Jovi), Vanilla Ice (Ice Ice Baby), Baby One More Time (Britney Spears), Buy U a Drank (T-Pain), Crank That (Soulj’ Boy), Can’t Nobody Hold Me Down (Puff Daddy), Dynamite (BTS)

Trechos extraídos do livro, o capítulo completo tem mais de 20 páginas.

The Number Ones: Twenty Chart-Topping Hits That Reveal the History of Pop Music

VISION OF LOVE

A primeira palavra de “Vision of Love”, single de estreia de Mariah Carey, não é uma palavra. Em vez disso, é um som, ou talvez uma série de sons. Após um som metálico e sinistro de teclado, o tipo de tom que poderia anunciar a chegada de um robô assassino em um filme de ficção científica dos anos 80, Carey solta algo que é parte suspiro, parte ululação. Se você fosse digitar essa pseudopalavra, ela poderia ser algo como: “Hoaaaaoweeaahwuuuah-weahmmmwueeeah”. Isso não é exatamente uma linguagem. Em vez disso, é um sinal. Antes mesmo da música começar de fato, Carey faz uma demonstração, dando uma leve indicação das coisas que sua voz pode fazer.

Ao longo de sua carreira, críticos como eu discutiram ela menos como artista e mais como atleta. Mariah Carey não é uma atleta. Ela é uma inovadora da música pop, uma criatura cujo perfeccionismo rapidamente se tornou lendário no mundo do entretenimento. Começando com “Vision of Love”, Carey emplacou dezenove singles em primeiro lugar — mais do que qualquer outro artista solo na história, e apenas um a menos do que o recorde histórico dos Beatles.

Carey escreveu ou co-escreveu todos os seus maiores sucessos, com exceção de um, e participou da produção de mais da metade deles. Ela quebrou uma série de recordes nas paradas musicais e passou décadas navegando por um cenário musical pop em constante mudança, antecipando novas tendências no mainstream e, às vezes, impulsionando-as, tudo isso com sua parcela de infâmia ocasional. Mas sua voz é tão deslumbrante que tende a ofuscar todo o resto.

Desde o início, Carey entendeu que sua voz era o que a diferenciava. “Vision of Love”, seu single de estreia, é um veículo para essa voz, um meio pelo qual ela pôde apresentá-la ao mundo. “Vision of Love” também é uma obra-prima do pop, uma vitrine astuta para uma persona totalmente formada e um relato comovente de triunfo pessoal. Mas tudo começa com a voz.

Diferente de outras vocalistas, Carey teve um papel mais ativo no planejamento de sua carreira inicial. Ela escrevia suas próprias músicas e logo começou a produzi-las também. Carey não cresceu cantando na igreja como Whitney Houston. Em vez disso, descobriu a música gospel apenas ao analisar as influências dos artistas que amava. Ela era uma estudiosa da música pop e experimentou o gospel como parte dessa mistura. Houston foi uma das primeiras estrelas pop a realmente usar o melisma como arma — a técnica gospel com a qual um cantor estende uma sílaba por várias notas. Carey levou o melisma de Houston ainda mais longe, transformando-o em algo mais parecido com um efeito especial de vanguarda. Carey rapidamente se tornou o Eddie Van Halen do melisma — uma artista singular cujas performances teatrais inspiraram gerações inteiras de imitadores.

Com “Vision of Love”, a Columbia não tinha apenas um sucesso em mãos. Ela tinha a apresentação perfeita para uma nova superestrela, uma faixa que funcionava como uma demonstração de poder e uma declaração de intenções. A chegada de Carey mudou a trajetória comercial do R&B. Antes de surgir, muitas das maiores estrelas das paradas musicais eram artistas brancos, como New Kids on the Block ou Taylor Dayne, que cantavam versões higienizadas da música negra. Toda a apresentação de Carey era mais voltada para o prestígio do que a desses artistas, mas sua música se encaixava ao lado da deles nas playlists de rádio, onde era possível ouvir a diferença imediatamente.

Nos anos seguintes a “Vision of Love”, o R&B com forte presença de melismas tornou-se o centro da música pop. Whitney Houston afastou-se do pop convencional em direção ao soul potente e expressivo, mantendo-se uma figura imponente nas paradas musicais durante boa parte da década. Cantores como R. Kelly e Toni Braxton emplacaram sucessos número 1 construídos em torno de vocais vistosos e teatralmente instáveis, assim como grupos como Boyz II Men e SWV.
As gerações mais jovens também ouviram o que Carey havia feito em “Vision of Love” e construíram estilos inteiros a partir dessa música. Uma jovem Beyoncé Knowles começou a cantar melismas depois de ouvir “Vision of Love”, e outras futuras estrelas como Christina Aguilera e Kelly Clarkson disseram que o single de estreia de Carey foi um momento de revelação para elas. Knowles, Aguilera e Clarkson eram todas crianças quando “Vision of Love” foi lançada. Para elas, a música foi fundamental. A abordagem de Carey ao canto — o melisma, o talento para o espetáculo — eventualmente se tornou o estilo vocal dominante no reality show de competição musical American Idol, a série de TV de maior audiência nos Estados Unidos durante a maior parte dos anos 2000. A maioria dos cantores que competiram no American Idol eram filhos de Mariah Carey em geral e de “Vision of Love” em particular.

Como fã de música pop, Carey se sentiu atraída por sons mais recentes — não apenas pelo dance-pop de “Emotions”, mas também pelo rap, que invadiu a Hot 100 quase na mesma época em que ela surgiu. Em singles antigos como “Vision of Love”, é possível perceber conexões sutis entre os vocais de Carey e a complexidade linguística do rap do início dos anos 90. Em suas cadências, Carey às vezes distorcia a voz em torno das faixas como um rapper, e incluía mais palavras do que alguns de seus contemporâneos. Naquela época, a conexão entre Carey e o rap era principalmente implícita. Carey surgiu em um momento em que o rap e o R&B começavam a se fundir.

Quando “Vision of Love” chegou ao topo da Hot 100, teria sido impossível prever três décadas de seus efeitos no pop. Mas mesmo que nenhum dos outros dezoito singles de Mariah Carey tivesse alcançado o primeiro lugar, “Vision of Love” ainda teria sido um divisor de águas — a música que estabeleceu o R&B com forte presença de melismas como uma poderosa força comercial.

8 curtidas

@Lambs a arquiteta do POP moderno e sua magna carta do melisma

single debut mais lindo da história

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@PILLAH essa é a segunda ou terceira vez que vejo a Mariah sendo creditada pelo seu flow e por ser uma das catalisadoras do rap singing.
O artigo da Paste fez a mesma coisa ao destrinchar Breakdown

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single que criou as vocalistas

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Lendária
Imagina debutar ASSIM

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imagina esse ser seu debut single pqp
tu debuta lendária

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quando falo que VOL é a performance vocal mais influente do pop moderno tem gente que acha exagero, mas a doll realmente resetou o mainstream debutando

vision of love sendo a única masterpiece e eu nem precisei ler

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Música excelente em todos os quesitos, de altíssimo nível debutar ASSIM

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As gerações mais jovens também ouviram o que Carey havia feito em “Vision of Love” e construíram estilos inteiros a partir dessa música. Uma jovem Beyoncé Knowles começou a cantar melismas depois de ouvir “Vision of Love”, e outras futuras estrelas como Christina Aguilera e Kelly Clarkson disseram que o single de estreia de Carey foi um momento de revelação para elas. Knowles, Aguilera e Clarkson eram todas crianças quando “Vision of Love” foi lançada. Para elas, a música foi fundamental. A abordagem de Carey ao canto — o melisma, o talento para o espetáculo.

Essa parte aqui matou. Ela meio que pariu as principais vocalistas das gerações seguintes, e isso só se confirma com as mais novas também seguindo esse caminho: Jojo, Leona Lewis e Ariana Grande depois das 3 citadas na matéria.

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bey incansavelmente ja citou mariah como a responsável por influencá-la a treinar melismas

uma lenda vocalista sabe quem é sua lenda vocalista

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Já debutou lendária

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Puts kkkkkkk

Eles querendo garantir as cópias do livro compradas pelas armys

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voz dos anjos

amo tanto esse debute

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pior que mesmo ignorando charts, a influência do single se tornou maior que sua popularidade. já que com o passar dos anos mariah lançou hits que se tornaram bem mais emblemáticos em termos de popularidade

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o BNA da mariah foi um dos mais merecidos da história do grammy né
babo

linda musica

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O mais relevante..salvou essa premiação falida do marasmo dps da polêmica com o milli vanilli

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Another day
Another slay

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