Bailarina cita Ludmilla em ação contra Ratinho e acusa SBT de conivência com racismo

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Bailarina que acusa Ratinho de racismo cita Ludmilla e acusa SBT

A bailarina Cintia Mello, que move uma ação milionária contra Ratinho por racismo ampliou o alcance do processo e apontou o SBT como corresponsável pelos fatos narrados na ação. Conforme os autos aos quais a coluna Daniel Nascimento teve acesso, a ex-integrante do “Programa do Ratinho” sustentou que a emissora teria sido omissa diante do episódio e pede a responsabilização solidária do canal, ao lado do apresentador, no pagamento da indenização de R$ 2 milhões.

No processo, a bailarina sustenta que o SBT não apenas falhou ao não conter o episódio ocorrido em 1º de abril de 2024, quando Ratinho fez comentários considerados racistas sobre seu cabelo black power, como também teria um histórico de tolerância com práticas semelhantes. A profissional, que integrou o balé da atração por quase nove anos, afirma que a emissora tinha pleno conhecimento da repercussão do caso, mas não adotou qualquer providência efetiva para reparar o dano ou coibir condutas discriminatórias.

Para reforçar sua tese, Cintia cita nos autos outros episódios amplamente conhecidos do público e envolvendo a própria emissora das filhas do falecido Silvio Santos. Um deles diz respeito a uma situação em que Moacir Franco, então apresentador do SBT teria praticado o chamado “racismo recreativo” ao retirar uma criança preta do palco durante uma atração, afirmando que aquele personagem “não podia ser representado” por ela e que só a chamaria quando fosse “a hora do Tiziu”, provocando constrangimento público ao menor.

Outro caso mencionado envolve a cantora Ludmilla e o apresentador Marcão do Povo. Na ocasião a cantora relembrou o episódio em que foi chamada de “pobre macaca” pelo comunicador, anos atrás, em outra emissora, e a forte reação que teve ao saber de sua contratação pelo SBT. Na época, Ludmilla chegou a pressionar publicamente a emissora, afirmando que “agora cabe ao SBT decidir se vai manter um racista na casa”, declaração que ganhou grande repercussão nacional.

Segundo a artista, os episódios citados demonstram que não se trata de fatos isolados, mas de condutas reiteradas que, em sua avaliação, evidenciam a omissão da empresa diante de situações de assédio moral e racismo. Por isso, ela defende que o Poder Judiciário precisa intervir para interromper práticas que, segundo a ação, estariam sendo normalizadas dentro da emissora.

A ex-bailarina sustenta ainda que o silêncio institucional e a ausência de medidas concretas após o episódio envolvendo Ratinho agravaram os danos sofridos, contribuindo para a exposição pública, ataques nas redes sociais e prejuízos profissionais, o que justificaria, na visão de seus advogados, a responsabilização conjunta do apresentador e do SBT no processo.