Historicamente uma das maiores anunciantes da televisão brasileira, a Casas Bahia decidiu encerrar quase todos os seus investimentos em publicidade. A empresa, que recorreu à recuperação judicial para reestruturar um passivo global estimado em R$ 28 bilhões, suspendeu 90% de seus contratos de mídia.
O desinvestimento atingiu a TV aberta, uma vez que a Casas Bahia era anunciante frequente em intervalos de Globo, Record, SBT e Band. As últimas entregas comerciais feitas pelos canais aconteceram no dia 21 de agosto. Depois disso, a empresa informou às emissoras que não tinha como honrar compromissos assumidos para o restante do ano.
Procurada pela coluna, a Casas Bahia não comentou o encerramento dos contratos publicitários, mas disse que mantém suas operações normalmente. “Eventuais tratativas com fornecedores estão sendo conduzidas pontualmente no âmbito do processo da recuperação judicial”, disse em nota.
Outro acordo de patrocínio descontinuado foi o firmado com a CazéTV e o YouTube para a transmissão de jogos do Campeonato Brasileiro. No mercado publicitário, o valor da cota era de R$ 185 milhões.
No contrato com as duas empresas, a Casas Bahia usou uma cláusula que autorizava uma saída amigável, mediante o pagamento de uma multa. O valor desembolsado, no entanto, não foi informado por nenhuma das partes.
Após a saída da varejista, CazéTV e YouTube venderam o espaço publicitário para a Magalu, de Luiza Trajano, e para o marketplace Netshoes. As marcas das duas empresas passam a ser expostas nas transmissões a partir do próximo fim de semana.
Em 2025, a Casas Bahia esteve na lista dos 15 maiores anunciantes de televisão e mídia do Brasil. Há 20 anos, na década retrasada, a empresa foi a maior compradora de intervalos comerciais em emissoras, chegando a investir R$ 1,4 bilhão em propaganda.
ENTENDA A RECUPERAÇÃO JUDICIAL DAS CASAS BAHIA
A empresa recorreu à recuperação judicial após registrar um prejuízo bilionário impulsionado pelo cenário contínuo de juros elevados, aperto no crédito e desaceleração do consumo. O movimento ocorreu como desdobramento de tentativas anteriores do grupo para reorganizar sua estrutura de capital.
Com a abertura do processo, a companhia obteve a proteção da blindagem judicial, que suspende por até 180 dias cobranças e execuções movidas por credores. O benefício visa impedir a retenção imediata de valores e permitir a continuidade das operações nas lojas físicas e no e-commerce, enquanto a administração elabora o plano detalhado de pagamento dos passivos.