Conheça o bem sucedido programa "Adote um Torcedor", do Governo de Pernambuco, em prol da adoção tardia

Anderson, 14 anos, recebeu sua nova certidão de nascimento no dia 29 de outubro deste ano. Hoje é filho de Ione e William. Ele é uma das 15 crianças que conseguiram uma nova família por meio do Projeto “Adote um Pequeno Torcedor”. Desenvolvida através de uma parceria entre a 2ª Vara da Infância e Juventude da Capital, o time Sport Club do Recife e o Ministério Público de Pernambuco, a ação tem como objetivo conseguir famílias interessadas em adotar crianças de sete anos ou mais que vivem em abrigos do Recife.

O programa foi lançado em agosto de 2015, na Arena Pernambuco, num jogo entre Sport e Flamengo. Antes do início da partida, 22 crianças que vivem em abrigos da capital pernambucana entraram em campo de mãos dadas com os jogadores, que exibiram os nomes delas no uniforme. Na abertura do jogo, também foi exibido um vídeo com o depoimento de crianças que esperam ser adotadas e expressaram a vontade de ter uma família.

Por meio do projeto, além de Ione e Wiliam que se tornaram pais, Cláudia e Julles estão próximos de realizar o sonho da adoção de uma adolescente de 13 anos. Eles estão no estágio de convivência, etapa anterior à conclusão do processo. Antes eles já haviam adotado duas adolescentes. “Quando decidimos adotar, o perfil era outro. Queríamos uma criança menor de sete anos, mas após participarmos do curso de pretendentes à adoção e também de programas de apadrinhamento vimos que poderíamos amar da mesma forma uma criança mais velha ou um adolescente. Adotamos duas adolescentes, uma de 13 anos e outra de 14, e estamos adotando mais uma de 13 anos. Já tínhamos duas filhas biológicas. Hoje temos cinco filhas, o amor é o mesmo. As meninas chegam para nós cientes de que estão tendo uma oportunidade importante de terem novos pais e de construírem uma nova vida em família. É uma experiência enriquecedora para todos”, observou Julles.

Recife tem hoje 15 instituições de acolhimento, nas quais 47 crianças e adolescentes estão disponíveis para adoção por meio do Cadastro Nacional de Adoção (CNA). Desse total, apenas nove são crianças. O restante são adolescentes maiores de 12 anos. Em contrapartida, o Cadastro possui 243 pretendentes à adoção, dos quais 94,5% desejam crianças com até sete anos de idade. A realidade é a mesma em todo o País, onde 96,39 % dos cadastrados no CNA buscam crianças menores de sete anos. No entanto, 92,41% das crianças que estão esperando por adoção já passaram dessa idade.

Para o juiz titular da 2ª Vara da Infância e Juventude, Élio Braz, a campanha vem surpreendendo a toda a equipe do programa pela idade das crianças e adolescentes que estão sendo procurados para adoção. “São meninos e meninas entre 10 e 17 anos de idade. Então, a iniciativa tem alcançado o objetivo que é quebrar os preconceitos e mitos da adoção tardia. Por meio da ação, as crianças e jovens colaboram de forma decisiva para o sucesso do programa, pois participam e protagonizam todo o processo de adoção e confirmam seus desejos de ter uma família e encontrar amor e proteção familiar”, afirmou.

O magistrado revela, que em paralelo ao desenvolvimento do projeto, para buscar e agilizar outras adoções, a 2ª Vara da Infância e Juventude da Capital procura atualizar de forma célere os dados do Cadastro Nacional de Adoção. “Recife é campeão no recall – atualização do CNA no Conselho Nacional de Justiça. Já atualizamos todo o nosso cadastro. Este processo facilita a busca de famílias para as nossas crianças e acelera todo o processo de adoção”, disse.

Início – A ideia de lançar a campanha “Adote um Pequeno Torcedor” surgiu no início de 2015. Aproveitando a grande popularidade do Sport Club do Recife, o seu presidente-executivo, João Humberto Martorelli, entrou em contato com o juiz Élio Braz, titular da 2ª Vara da Infância e Juventude, para desenvolver o projeto. “Achei a ideia maravilhosa e prontamente quis estabelecer a parceria com a direção do time. Temos que trabalhar em conjunto para reduzir ao máximo o número de crianças abandonadas, que precisam ter uma família”, afirma o juiz Élio Braz.

Com chances mínimas de ser adotado, Williams repetia a si mesmo “minha esperança é a última que morre”. O pernambucano de 17 anos ainda tinha o sonho de viver em família. “Eu nunca tive carinho de mãe.” Menos de 1% dos pretendentes de adoção, contudo, procuram um adolescente nessa idade no Brasil. Contrariando os números, Williams chamou a atenção de um casal a mais de 2 mil quilômetros de distância do Recife. “Quando eu vi ele no vídeo, já senti que era o meu filho. Senti uma coisa muito forte, algo inexplicável. Eu vi o vídeo várias vezes e falei para o meu marido: encontrei o nosso filho”, lembra Viviane Nogueira, 45. Ela se refere a uma campanha desenvolvida em Pernambuco, em que Williams e outros adolescentes testemunhavam a angústia de não ter uma família.

Viviane e Cláudio Nogueira, 54, já estavam amadurecendo a ideia de adotar um adolescente havia seis anos ao participar de um grupo de apoio à adoção em Belo Horizonte. Mas até 18 de janeiro do ano passado, o casal não havia tido a coragem de dar entrada com os papéis para se habilitar. “No mesmo dia que eu vi o vídeo, liguei para a Vara do Recife e disse: ‘como eu posso buscar o meu filho? Vou mandar todos os documentos’”.

A campanha que levou o encontro do casal Nogueira com Williams chama “Adote um Pequeno Torcedor”. Criado em agosto de 2015, o projeto tem como objetivo conseguir famílias interessadas em adotar crianças de sete anos ou mais que vivem em abrigos do Recife. A ação é uma parceria da 2ª Vara da Infância e Juventude do Recife, do time Sport Club do Recife e do Ministério Público de Pernambuco.

Foram três meses para o casal Nogueira conseguir se habilitar para adoção. Nesse período, Williams fez 18 anos e não imaginava que o seu desejo de ter uma família estava prestes a acontecer.

Ao alcançar a maioridade, ele só sabia que deixaria o abrigo. “Eu já estava preparando para viver uma vida só. Eu ia trabalhar de garçom e tinha olhado uma casa. Mas eu continuava com muita vontade de ter uma família”, lembra.

Ainda vivendo no abrigo aos 18 anos, Williams recebeu a notícia de que Viviane e Cláudio queriam adotá-lo.

Eu nem tinha ideia onde ficava Belo Horizonte, mas eu só pensava ‘vou embora daqui, vou ser adotado, meu sonho vai ser realizado’."

A adoção de um adolescente de 17 anos é algo raro no Brasil. Nos últimos três anos, houve o registro de oito adoções nessa idade em todo o país. “Uma adoção aos 18 anos foi um caso inédito aqui”, diz o juiz Élio Braz Mendes, da 2ª Vara da Infância e Juventude do Recife.

O contato entre o jovem pernambucano e o casal mineiro, no entanto, só aconteceu quando a Justiça deu a habilitação para a adoção. No primeiro telefonema, Williams já chamou Viviane de “mãe” e Cláudio de “pai”. “Eu achava que ele, como era adolescente, ia demorar chamar a gente assim. Fiquei muito emocionada”, lembra a engenheira.
Desejo de ser filho

“A adoção mais bonita foi ele ter adotado os pais, a família”, diz Mendes. Para o juiz, a vantagem das adoções de meninos mais velhos é o “desejo de ser filho”. “Eles respeitam os pais porque entendem o quanto a família é um presente”, diz.

Percebo no Williams a responsabilidade de um adulto. Ao mesmo tempo ele tem uma carência enorme de se sentir filho, de ter um colo de mãe, de ter uma conversa de pai", atesta Cláudio.

Da parte de Williams, havia a vontade de ser filho porque tanto os pais biológicos quanto a avó com quem conviveu morreram. O jovem viveu em cinco diferentes instituições dos 12 aos 18 anos, e nunca foi sondado para adoção. “Às vezes aparecia gente no abrigo para dar alguma roupa, mas nem levava para passear”, conta.

Já em Belo Horizonte, Cláudio e Viviane queriam “ter mais filhos”. Antes de se casarem, eles já tinham sido pais de meninos de relações diferentes. Tentaram por tratamentos de fertilização serem pais biológicos juntos, mas não foi possível. “Os médicos não souberam explicar o motivo”, diz Cláudio. À procura das razões médicas, eles levaram seis anos para assumir definitivamente a adoção.

A passagem do tempo foi necessária para encontrar Williams, afirma Viviane. “Ele foi desejado assim como o meu filho biológico. É uma coisa tão divina, mágica. Não parece que ele chegou há um ano e pouco. A forma como ele veio foi só um detalhe. O encontro aconteceu quando tinha que acontecer.”

Williams diz ter se tornado “uma pessoa mais feliz” ao lado da sua família. “Mudou a minha vida toda para melhor.”

Desde maio do ano passado, Williams vive com Viviane, Cláudio e o irmão Lucas, 26, em Belo Horizonte. Hoje, aos 19 anos, trabalha como menor aprendiz pela manhã e estuda durante à noite. Pretende se formar no ensino médio em meados de 2018, mas já está conversando com os pais sobre qual profissão vai seguir.

Depois de provar o carinho de mãe, Williams diz ter encontrado o seu lugar no mundo. “Parece que eu estava de férias no Recife e agora eu voltei para casa.”

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/07/23/nunca-tinha-recebido-carinho-de-mae-diz-jovem-adotado-aos-18-anos.htm

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Basicamente a ideia é: a família adota um adolescente que já torce para o mesmo time da família adotiva.

Isso cria uma identificação instantânea entre eles e as chances de dar certo são bem maiores.

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Tô criando esse tópico em resposta aos absurdos que vocês estão falando naquele outro tópico, como se toda adoção tardia fosse terminar em tragédia.

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Reportagem da Globo sobre isso, com vídeo e tudo:

chocadrah
achei hit

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:choro: :choro: :choro:
Que outros times possam aderir a isso também. O futebol tem sim muito potencial de gerar boas iniciativas, ao contrário do que vemos frequentemente

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A adoção tardia é um ato de amor. Estou pensando seriamente em adotar daqui alguns anos, mas quero me estabelecer antes.

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coitados dos gays… poderiam fazer um e classificar pelo fandom: adote um lirou, adote um katycat, adote um beyhive etc

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os lovatics tendo que esperar a maioridade. e os swifties não aceitando a chegada da idade (isso quando os pais não devolvem, por conta de estourarem o cartão com as mil versões dos cds da fave)

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Tem escrito no banner: “Veja crianças que torcem para outros times”

Mas tem que expandir para o Brasil todo mesmo, não pode ficar só no Recife

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e pode adotar alguem com mais de 30 anos?

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Coragem

Em Minas também

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achei legal

horrível usar esse caso pra desmerecer adoção tardia sendo que tá óbvio que não foram feitos os procedimentos corretos, tudo leva a entender que queriam se livrar do “problema” e jogaram pro casal de lésbicas de propósito

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Old. Imagina só adotar um flamenguista? O trauma pra família.

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o shade pro outro tópico