Preso desde março no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, Daniel Vorcaro tem tentado, junto com sua defesa, um espaço para falar sobre o caso do Banco Master na televisão. Existem negociações com duas emissoras para uma entrevista exclusiva.
Intermediários do ex-banqueiro procuraram a Globo para conversar sobre a possibilidade. Antes mesmo da TV da família Marinho ser contatada, Roberto Cabrini, da Record, também demonstrou interesse.
A coluna apurou que o ex-banqueiro teria preferência pelo apresentador do Domingo Espetacular, devido ao tempo de tela que ele teria, uma vez que a Record é mais flexível com a grade de programação. Procurada por email e telefone desde terça (6), a defesa de Vorcaro não se manifestou.
Para ser realizada dentro do presídio, a entrevista precisaria de uma autorização da Justiça. O desejo do preso é levado em consideração, mas sua periculosidade e o crime pelo qual cumpre pena pesam.
Robinho, por exemplo, teve uma entrevista com o SBT vetada no ano passado. As chances de liberação diminuem para quem cometeu um crime hediondo —e o ex-jogador foi condenado por estupro. Vorcaro e sua equipe de defesa estão otimistas nesse sentido.
Em paralelo à entrevista, o ex-banqueiro negocia uma delação premiada com a Polícia Federal e com a PGR (Procuradoria-Geral da República). No mês passado, ele prestou um depoimento em que voltou a explicitar esse desejo.
RELEMBRE O CASO
O escândalo do Banco Master, que culminou na liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central em novembro de 2025, gira em torno de fraudes financeiras estruturadas e da emissão de títulos de investimento sem as garantias exigidas.
As investigações apontam que o conglomerado acumulou rombos bilionários e gerou impactos severos no sistema financeiro, mobilizando o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e transformando-se em uma das maiores crises de insolvência do país.
A partir da prisão do controlador Daniel Vorcaro e da apreensão de seus dispositivos eletrônicos na Operação Compliance Zero, a PF descobriu uma extensa rede de influência política e conexões com autoridades dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Documentos e relatórios sigilosos revelaram contratos milionários, repasses suspeitos e tratativas para blindar o banco de sanções regulatórias, expandindo o escopo das apurações para crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.