“Em Madrid, todos somos latinos. Aqui a imigração latina é celebrada” Shakira em carta emocionante para o jornal El País

“Aqui acontece algo que o mundo merece ver: a imigração latina é celebrada. A Espanha a abraçou”, escreve Shakira em uma carta exclusiva para EL PAÍS sobre uma das razões pelas quais escolheu a capital para sua residência de 12 shows. Em seu texto, a artista colombiana também reflete sobre a solidão na era digital e o conceito de hispanidade

Há uma frase que me acompanha desde criança, embora tenha demorado anos para entendê-la completamente. É de Gabriel García Márquez, e diz que as linhanhas condenadas a cem anos de solidão não têm uma segunda chance na terra. Sempre o li como um aviso. Hoje eu o leio como um desafio: e se a segunda chance existisse? E se ele estivesse onde sempre esteve no vínculo, no abraço, em não nos deixar sozinhos?

Dentro de 18 dias começo em Madri uma residência de 12 concertos. Os números me sobrecarregam: mais de 600.000 ingressos, a maior residência da história da Europa, um estádio para 55.000 pessoas que se ergue em Villaverde, construído para a música e não para o futebol. Mas não escrevo para falar de números, mas para contar o porquê.

Isso começou com dor. Começou quando vi nosso povo perseguido pelo simples fato de ser latina, famílias obrigadas a viver com medo. Diante disso, a raiva é legítima. Mas eu escolhi responder com uma celebração: a maior que pudéssemos imaginar. Porque a resposta mais poderosa ao medo é existir com toda a força, toda a alegria e toda a dignidade do mundo

E para essa celebração escolhi Madrid. Porque aqui acontece algo que o mundo merece ver: a imigração latina não é tolerada, é celebrada. A Espanha a abraçou, e esse abraço a tornou mais jovem, mais vigorosa, mais criativa. A integração comove por sua naturalidade, talvez porque há cinco séculos foram os espanhóis que cruzaram o oceano. Compartilhamos língua, memória, gestos, sobremesas. O Atlântico, entre nós, deixou de ser um oceano há muito tempo. É um laço. De Madrid se diz que quem não é de lugar nenhum é daqui

Por isso, ao lado do estádio, estamos construindo algo mais: uma cidade. Trinta hectares para celebrar e entender nossa cultura, com mais de cem artistas amigos, onde cada visitante poderá atravessar o latino pelo caminho que escolher: literatura, dança, música, moda, gastronomia, cinema, arte. Uma cidade para nos encontrar, atravessada por um conceito que é o coração de tudo isso: o vínculo latino na era da solidão digital.

Vivemos uma época extraordinária e perigosa ao mesmo tempo. Não sou do tipo que nega o futuro, mas já sabemos uma coisa com certeza: esta época tem uma capacidade sem precedentes de nos isolar. Milhões de pessoas olham para a vida dos outros através de uma tela, cada vez mais sozinhas, mais ansiosas, mais doentes. A solidão se tornou uma epidemia silenciosa que os médicos já medem como qualquer outra doença. Eu senti isso. Você sentiu isso.

Diante dessa epidemia, nós latinos temos algo a oferecer. Não é ciência, é algo anterior à ciência. Está em nosso DNA cultural: o abraço, a dança, a mesa compartilhada, o vínculo como forma de sobreviver. Somos uma cultura que transformou a dor em ritmo, que aprendeu em cinco séculos de mistura que ninguém se salva sozinho. O mundo inteiro intui: é por isso que nossa música e nossa dança cruzam todas as fronteiras. O mundo não consome o latino por moda: procura-o porque reconhece nele as ferramentas que vai precisar. A receita contra a solidão digital já existe. Nós o escrevemos, sem saber, por quinhentos anos.

E se falo de mistura, falo de mim. Nasci em um continente que leva o nome de um italiano, Américo Vespúcio. Em um país que carrega o de outro, Colombo, que cruzou o oceano financiado pela Coroa Espanhola. Eu cresci em Barranquilla, onde o coração aprende a bater ao ritmo do tambor africano antes de aprender a falar. Na minha Colômbia há um povo, San Basilio de Palenque, onde ainda se fala uma língua nascida da África — e foi o primeiro povo livre da América. Carrego no sangue os espanhóis que vieram para a América, nos quadris o ritmo do Oriente Médio do meu pai, e a resiliência dos povos originários desta terra. E tenho dois filhos espanhóis, a mistura não terminou há cinco séculos: continua acontecendo, agora, neles. Eu não falo da mistura: eu sou essa mistura. Minha música é essa mistura. E o que quero comemorar em Madri é, simplesmente, como ficamos bem em estarmos tão misturados.

E quero propor algo mais, com todo o respeito e todo carinho. Não vamos falar apenas de hispanidade: vamos falar de latinidade, um abraço ainda mais amplo. A hispanidade é linda, mas fica aquém de tudo o que somos. O espanhol é latino; o português, o italiano e o francês também. E todos os latino-americanos são latinos. O Brasil, o maior país da América Latina, não fala espanhol, fala português. A hispanidade não é suficiente para abraçá-lo; a latinidade é suficiente. Somos uma nação sem fronteiras que vem se construindo há cinco séculos: a mistura da África, América e o sul da Europa. Não julgo com o olhar de hoje os humanos de quinhentos anos atrás; fico com o que somos: uma fusão que é nossa riqueza.

E é aí que entra a música, meu ofício, toda a minha vida. Porque a música faz exatamente o oposto da tela. A tela te separa; a música te une. Uma música não pergunta de onde você vem ou qual passaporte você tem. Ele te diz: cante comigo, dance comigo, chore comigo se for preciso. E de repente, você não está mais sozinho.

É por isso que o encerramento de cada noite será um carnaval. Porque o carnaval é a expressão máxima de um povo que nasceu dessa fusão. Como não passar por Cádiz e Canárias, pela minha Barranquilla, pelo Brasil, pelo Caribe, pela América Central? O carnaval é África, América e Europa dançando juntas, cores, talentos, abraços, risos. Será nosso ato psicomágico: todos juntos, dizendo em voz alta o que este projeto quer demonstrar.

Que em Madrid somos todos latinos.

Que a solidão não precisa durar cem anos.

E que as linhas que aprendem a se abraçar tenham uma segunda chance na terra.

https://elpais.com/gente/2026-08-31/en-madrid-somos-todos-latinos.html

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canetada
@Wolfpack

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PRECISO VIVER ESSA RESIDÊNCIA AAA

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Pronta pra fazer história mais ums vez.

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o shade no governo de direita conservador do trump no cusa mds

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e a doll ainda fala do Brasil

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mas a @Jumi me prometeu q ela é conservadora de direita kkkkk

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A canetada da musa de direita

amamos uma trumpminion

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E um pecado essa mulher ter hater, o que ela faz pela america latina 'e algo gigante e sem precendentes.

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Adorei o que ela falou da latinidade

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botou a bct na mesa e aloprou a direita espanhola

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Eu achei o texto lindo.

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Ela anunciado a quarta leg na LatAm quando começar os shows da residência;

Espero que tenha vários convidados legais.

Mulher maluca, vai anunciar em setembro show pra novembro kkkkk q ranço

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Com o #TeamShakira é assim rsrs

Mais uma leg tapa buraco igual essas arenas no US. Essa mulher me irrita

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Estranho é a data do Egito seguir de pé

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me too

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Sim… ela tá fazendo esses shows só para recuperar os cancelados.

Os da arena do US ela fez para aproveitar a copa mesmo… os cancelado no US… México mesmo já recuperou.

Ódio que os cancelados no US seriam os melhores boxescores da leg.