Com dez novelas da Globo no currículo, Jayme Matarazzo acaba de estrear como diretor na série documental “Click — Expedições fotográficas”, da qual ele também é roteirista e apresentador. O projeto, que demorou dez anos para sair do papel, percorre oito destinos da América do Sul, mostrando paisagens e culturas por meio das lentes de fotógrafos. O ator fala sobre a atração, exibida no canal Modo Viagem e que também está disponível no Globoplay:
— Digo sem medo nenhum que é o projeto da minha vida, que eu quero que me acompanhe durante muitos anos e que, até por isso, demorou muitos anos para sair. Eu precisava achar dentro da minha carreira um espaço considerável para dar toda a minha alma para esse trabalho, o que é algo difícil para quem vive uma rotina de projetos longos. Nos últimos 12 anos, eu fiz dez novelas. Ou seja, nunca tive tempo para me dedicar a um projeto autoral. Ele é algo completamente criado da vontade de colocar para fora várias das minhas paixões, entre elas fotografia, pessoas e viagens. Estou muito feliz com o resultado, porque eu creio que é realmente uma expansão da minha alma, um abastecimento para mim, tanto como ator quanto como pessoa. Espero que eu possa fazer uma temporada nova a cada intervalo de uma novela, filme ou série. E o mais legal dos realities documentais é essa amizade com o acaso. Eu vivi muitos e muitos anos acordando todos os dias tendo que decorar um roteiro e viver a emoção de um personagem que não era eu. O “Click” também é um grito de liberdade comigo mesmo, de poder viver uma vida sem roteiro.
Sua novela mais recente na TV aberta foi “Família é tudo” (2024). Sua primeira experiência como ator foi em 2009, na série “Maysa: Quando fala o coração”, sobre sua avó. Na história, ele interpretou o próprio pai, Jayme Monjardim, diretor do projeto. Antes disso, Matarazzo estudou cinema na faculdade e já trabalhava atrás das câmeras como assistente:
— Acho que o meu eu artista começa com um menino de 15 anos, curioso, com uma câmera fotográfica na mão. Com certeza veio antes até da minha vontade de atuar. A atuação aconteceu na minha vida. Foi um momento em que estávamos fazendo um projeto muito especial para nós, em que eu começo como assistente de direção e, no meio da série, encaro esse desafio de atuar em um episódio. Ali surge o meu amor por atuar. Eu sempre tive um olhar muito mais voltado para a direção e fiquei muito feliz quando o meu caminho cruzou com o da atuação.
Filho do diretor de sucessos da TV como a versão original de “Pantanal”, “Terra nostra”, “O clone” e “Páginas da vida”, Jayme conta como encara o rótulo de nepo baby:
— Sempre tive muito orgulho de ser filho do meu pai. Sempre me coloquei muito à disposição e sem vergonha nenhuma de aprender o que posso com ele. Se ele voltar a me convidar ou precisar de mim em algum projeto, estarei lá, por ele e por mim. Trabalhar ao lado do meu pai é sempre uma honra. Ele é um dos maiores mestres da nossa televisão. Tenho certeza de quanto foi importante olhar para ele exercendo o trabalho dele e aprendendo com ele, para quem eu sou hoje como artista. Tenho só orgulho. Pelo jeito como eu construí a minha carreira, qualquer fardo que pudesse vir por eu ser filho do meu pai acho que foi rapidamente bem digerido por mim. Acho que eu fiz a minha carreira de maneira bem independente, bem corajosa, e tudo isso me credenciou a, muitas vezes, as pessoas nem ligarem uma pessoa à outra. Isso nunca foi uma questão para mim. Eu sempre tentei fazer o meu caminho. Acho que sou um profissional muito dedicado. Quem cruza o meu caminho profissional consegue notar rapidamente que foi o empenho e a dedicação que me levaram a ter novas oportunidades. Eu corri muito atrás e estudei demais. Eu tinha que estudar e praticar ao mesmo tempo.
Recentemente, Jayme estreou em sua primeira novela vertical. Ele contracena com Vitória Strada e Daniel Rocha em “A boa, a má e o marido gigolô”, da plataforma Tele Tele:
— Foi um convite muito especial para eu encarar esse desafio novo, que é uma linguagem diferente. Fiquei muito feliz em descobrir essa nova dinâmica, que é mais intensa e na qual temos menos tempo para contar ao público os sentimentos, as dores e as alegrias dos nossos personagens. A gente tem que ter uma conexão mais rápida e uma atuação com certeza mais dinâmica. Foi muito legal ampliar o meu olhar sobre diferentes linguagens.
O ator também está no ar em “Sete vidas”, novela que protagonizou em 2015 e que acaba de estrear no Globoplay:
— Foi a novela que eu vivi mais intensamente e mais conectado com o meu personagem. Foi um dos projetos mais lindos de que eu já participei, que eu guardo com muito carinho e com recordações de pessoas maravilhosas que passaram por mim. “Sete vidas” me deixou um legado impressionante para a minha vida. Toda a parte de concepção e de estudo sobre o Pedro me fez me aproximar muito do meio ambiente e da natureza, principalmente da vida marinha. Até hoje, por exemplo, eu estudo aquários marinhos por causa desse personagem. Estudo os corais marinhos e me preocupo com o aquecimento global. Assim como o “Click”, “Sete vidas” é um exemplo desses projetos que passam na nossa vida e ampliam o nosso olhar para o mundo.
Desde 2016, Jayme é casado com a publicitária e empresária Luiza Tellechea, e hoje eles têm um casal de filhos. Ele fala sobre paternidade:
— Meu sonho sempre foi construir família. Sempre sonhei em ser pai e fui abençoado por nossas crianças maravilhosas. Só eu sei de quantos projetos eu abri mão para conseguir equilibrar um tempo sadio entre trabalho e família. O Jayme como pai é um cara que colocou a família em primeiro lugar. Acredito muito que essa fase inicial de vida dos nossos filhos é fundamental. Ela é única e não volta. Tendo tudo isso em vista, eu realmente me dedico à minha família hoje mais do que ao meu trabalho como ator. Porém, diversificar os nossos trabalhos e a nossa forma de rentabilidade também é uma missão muito importante. É uma carreira de instabilidades.