Igor Rickli realiza o 'sonho da casa cheia', fala de paternidade e adoção: 'Lindo enxergar um futuro legal para todos eles'

É piada interna. Mas tem uma voz, digna de desenho animado, que Igor Rickli faz para prender a atenção dos filhos, causar risadas entre eles e organizar o caos das brincadeiras e provocações entre irmãos. Foi assim numa manhã de ensaio para a Canal Extra. É assim, na intimidade, que o intérprete do professor de dança Patrick, de “Quem ama cuida”, vive a realização do sonho de ter uma casa cheia.

No ar na novela das nove, o ator, de 42 anos, sempre quis ser pai. “Já estava nos meus planos desde pequeno. Fui amadurecendo e entendendo esse gosto e predisposição para cuidar”, ele diz. Talvez venham daí as ideias para continuar criando códigos que estreitam laços com a família.

Não foi preciso muito, por exemplo, quando há dois anos ele e a mulher, a cantora Aline Wirley, de 44 anos, decidiram aumentar a prole. Eles já eram pais de Antônio, de 9, na época, quando entraram na fila da adoção. Ao verem a foto do manauara Will, então com 7, não tiveram dúvidas de que era ele o outro filho que buscavam. A conexão do garoto com a irmã, Fátima, de 10, fez com que todos também se apaixonassem por ela.

Quando seguiram com o processo e foram para o Amazonas para o período de adaptação com as crianças, ninguém tinha dúvidas de que eles já eram um lar há tempos. Dois anos depois, não poderiam ser mais parecidos.

O que o motivou a adotar?

Eu sempre quis. Ser pai sempre foi uma prioridade pra mim. Lá atrás, eu me perguntava se realmente teria coragem (de adotar), ao mesmo tempo em que sentia que isso faria parte da minha trajetória em algum momento. Quando dividi isso com a Aline, ela se surpreendeu, amadureceu a ideia e disse: “Vamos nessa”. Esse é nosso barato de jogar junto. E foi uma das escolhas mais incríveis que fiz na vida. Sou muito feliz por ver meus filhos entrosados, saudáveis, fazendo planos para o futuro com coragem. É lindo poder ressignificar essas histórias e enxergar um futuro legal para todos eles.

Chegou a se questionar se de fato queria isso ao longo da adoção?

É desafiador. Você se pergunta se será capaz de amar alguém para além de um laço biológico. E é óbvio que é capaz. É um altruísmo, e é preciso entender o peso de estar fazendo algo pelo outro, não por você. Tem que estar ligado também na saúde. Mexe com nosso psicológico. Eu não tive dúvidas em momento algum que eles seriam nossos filhos. Mas, quando chegamos em Manaus, bateu um medo, uma insegurança. “E se não der certo?”. Vi também que a ficha do Antônio começou a cair, ele adoeceu quando me viu com outra criança no colo. “Será que estou sendo injusto com meu filho?”, eu me perguntei. Os bons momentos que tivemos logo depois nos fizeram entender que juntos fortaleceríamos essas conexões. Tem uma cena linda que nunca vou me esquecer. Fomos passear de barco pelo Rio Negro, teve um arco-íris, e as crianças estavam ali brincando juntas. As dúvidas se foram.

Como foi incluir o Antônio nesse processo?

Fui plantando muito a ideia de que é legal ter um irmão na vida. Eu trouxe as minhas referências (Igor tem três irmãos). E achava importante até para o Antônio aprender que o mundo não gira em torno dele, é saudável saber dividir. Aí, ele foi criando expectativas e pedia pelos irmãos. E é claro que na realidade, quando chegou a hora, teve o susto inicial. É normal sentir ciúme. Mas meu filho tirou de letra. Antônio sempre foi muito parceiro, é sensível e tem uma inteligência emocional que me impressiona. Veio da mãe. Hoje, ele vive o melhor dos mundos. Chegou uma irmã mais velha, pré-adolescente, superantenada, que ama tudo o que ele gosta nesse linguajar da internet, das danças. E chegou um irmão mais novo, com quem ele ainda pode exercer aquele domínio (risos). Os irmãos também o adoram e fazem tudo por ele.

Antônio foi um filho planejado?

Foi muito esperado. Planejado, exatamente, não. Aconteceu no momento certo, em que estávamos preparados, vínhamos nos expandindo para conseguir recebê-lo. Eu estava jogando para o universo que o queria, mas planejado, não.

Antônio está no ar na mesma novela que você. Como se sente ao vê-lo seguindo seus passos?

É lindo vê-lo fazendo a própria trajetória, eu dou só um contorno. Uma miniatura minha começando tão bem… Às vezes, ele me pede dicas, a gente passa cenas juntos. É prazeroso. Me dá orgulho quando recebo elogios dos profissionais. Antônio é um talento, e falam também sobre o comportamento dele. Ele é muito maneiro!

Vocês fizeram uma adoção compartilhada. Will e Fátima têm contato com outros irmãos?

Sim. O Sistema Nacional de Adoção criou esse meio para que irmãos não demorem tanto tempo a serem adotados. É difícil uma mesma família ficar com quatro, cinco crianças, e é importante que elas não percam a oportunidade de terem a vida transformada. Tudo é feito com acompanhamento e delicadeza, porque as crianças precisam criar laços com as famílias adotivas, ter uma estrutura. A gente fala com as outras famílias, até porque é para eles terem a sensação de que estão ganhando, nunca perdendo.

Em que a paternidade o surpreendeu na prática do dia a dia?

Eu me surpreendi em muitas coisas. Ser pai te tira do protagonismo totalmente. É preciso abdicar de muitas coisas. É necessário estar atento. Não adianta só falar o que aprendi com meu pai. As crianças aprendem me observando.

O que gosta de fazer com cada um?

A gente ama jogar videogame. Damos muita risada. É um privilégio poder sentarmos no sofá, os quatro, e ficarmos lá. Com a Fátima (hoje com 12 anos), também adoro ir ao shopping fazer compras, ficar escolhendo roupas. Ela fica superfeliz quando a gente faz esse momento pai e filha. Para mim, foi uma surpresa, porque menina é outro rolê, né? Com o Antônio (atualmente com 11), amo quando a gente faz música. Ele é muito mais fluido do que eu, toca e canta com uma naturalidade que impressiona. E com o Will (agora com 9), gosto muito de conversar. Tem sido muito legal vê-lo nesse processo de desenvolvimento. Quando chegou, por ser mais novinho, ele tinha muitas inseguranças, parecia até ter vergonha de falar. É lindo vê-lo se abrindo, se expressando com confiança até para ser moleque, brincalhão.

Como é a relação com seu pai?

Quando nasci, meu pai, Ivan, já tinha 45 anos. Fui o último de quatro filhos. Não tive aquele pai nas brincadeiras, como acabo me projetando para ser com meus filhos. Mas o meu foi um mestre. Ele era professor, muito culto, ético, respeitoso. Absorvi isso dele. Sempre foi conectado com a espiritualidade. Sou muito grato por essa criação, porque herdei grandes valores.

Você já relatou ter sofrido abusos na infância. Ser pai o fez reviver essas memórias?

Totalmente, porque estou lidando na construção de um ser humano saudável. É uma área delicada. E para mim foi muito ruim ter passado por isso criança e não ter podido falar para ninguém. Isso criou muitas feridas em mim, e elas levaram muito tempo para serem vistas e curadas. Como tutor dos meus filhos, tudo o que mais prezo é que eles tenham uma infância imaculada, sem que precisem lidar com situações tão complexas.

Como é se tornar pai de crianças que já cresceram com marcas?

Fátima e Will trouxeram uma bagagem com marcas difíceis, já viveram situações reais de vulnerabilidade, de uma infância desestruturada. Isso tem um impacto forte na mente de um ser humano que está se formando. A gente luta o máximo para trazer confiança para eles, mostrar que estão seguros, amparados e que a vida é daqui pra frente. O que eles viveram foi uma escola, foi difícil, mas mudou. Agora, tudo vai ser melhor, nada de ruim vai acontecer, juntos estamos construindo uma nova história, e um caminho muito mais saudável pela frente. Saúde, aliás, é o que a gente mais procura. A gente come bem, se exercita, faz terapia, joga vôlei… Tudo que é bom para a cabeça a gente faz e gosta!

Com a palavra, as crianças:

Programas favoritos?

“Gosto de fazer compras, só eu e ele”, diz Fátima. “Amo viajar e jogar videogame”, completa Antônio. “Nos jogos, papai é o melhor. No Fifa, eu é que ganho”, celebra Will.

O que mais gostam no papai?

“Ele é meu melhor amigo. Me sinto muito bem quando estou com o papai. É a melhor pessoa para estar do lado”, derrete-se a mais velha. “Eu me sinto muito seguro ao lado dele. Ele é fortão”, continua o do meio. “Ele é bem engraçado também”, resume o caçulinha.

E qual vai ser o presente?

“Roupa?”, pergunta Fátima aos irmãos, logo emendando outra possível solução: “Ele gosta de café da manhã”. “A gente vai ter que acordar primeiro”, planejou Antônio. “Vamos dar chocolate e pipoca”, disse Will, que quase estraga a surpresa: “Deixa eu perguntar: Ô paaaai!”

Equipe

Texto e produção executiva: Leonardo Ribeiro @leomvribeiro. Fotos: Juliana Coutinho @jucoutinho. Assistente de fotografia: Guto Costa @gutocosta. Styling: Samantha Szczerb @samantha_szczerb. Beleza: Zuh Ribeiro @zuhribeirobeauty_. Agradecimento: Goiabeira Coisa e tal @goiabeiracoisaetal.

Igor Rickli e as crianças usaram

Breda Baby Kids Jr. @bredakids; Lizie @lizie.br; OTT @ott.oficial; Reserva @reserva; Reserva mini @reservamini.

1 curtida

Fofo
Esse é feliz fazendo o que quer da vida

O texto

Nunca vou esquecer aquele comentário da old old bc sobre ele

Família linduxa

Tópico Preto Nerd

1 curtida

Nem li, entrei só pelo meme.

A casa e o c* cheio

I Am Disgusted By Aline

Tão cheio que saiu pingando pelo chão…