Intérprete de Ciço em A Nobreza do Amor, Lucas Queiroga --o Lukete-- vem de uma sequência de acertos ao misturar humor e música em Mar do Sertão (2022) e No Rancho Fundo (2024). Agora, ele quer virar a chave e surpreender ao explorar uma faceta que o público ainda não viu. “Existe preconceito, padrões que a gente vai quebrando”, aponta.
“Por exemplo, outro dia estava com o João Fontenele [o Sebastião da novela das seis] conversando, e ele perguntou sobre eu ter feito sempre personagens carismáticos. E eu disse: ‘Sim, sou convidado e amo, dentro disso dá para trabalhar muita variação’. Mas explico que tenho o desejo de fazer outras coisas, só preciso da oportunidade”, conta ele ao Notícias da TV.
“Daí, o motorista se intrometeu na conversa e disse: ‘É, mas com esse seu sotaque, você sempre vai fazer comédia’. Respondi tranquilamente que essa é uma visão que vocês têm da gente. E assim seguimos sem intromissões. Existe esse preconceito, [mas também] existe muita coisa que já mudou e que vai mudar. É um trabalho árduo, mas vamos conseguir”, complementa.
Para Queiroga, o audiovisual brasileiro ainda é muito restrito ao eixo Rio-São Paulo, mas ele já vê alguns progressos significativos:
Existiu muito clamor, muita bandeira levantada para que o nordestino estivesse contando outras histórias, inseridos em outras tramas, personagens, em protagonismos, e nós temos avançado. Nós miramos mais avanço, porque precisa ter. Por que não uma novela gravada em João Pessoa? Em Recife, Natal, Fortaleza? Em algum lugar do Nordeste ou no Norte, não é?
Ciçudica ou Mundiço?
Único paraibano no elenco de A Nobreza do Amor, Lukete encara o espaço com orgulho, honra e responsabilidade. “É bonito isso, ao mesmo tempo que a gente clama para que esse espaço seja dado aos demais também”, observa.
Ele tem chamado a atenção na novela das seis sobretudo pela relação de Ciço e Mundica (Samantha Jones), que vem ganhando força nas redes sociais:
Ciço não nasceu para cortar cana, ele não tem tem esse interesse. Queria estar tocando sanfona, fazendo show, perambulando pelo mundo. Mundica também não gosta de cozinhar, de lavar louça, roupa. Ela tem uma sede pela vida, pelo conhecimento do mundo, entende que existe beleza fora aquele engenho. Isso aproxima os dois.
“Se essa semente foi plantada no começo da trama, ela será regada na continuidade dela, e pode ter certeza de que a gente vai ter cenas bem legais entre esses dois”, adianta.
Um sujeito de (muito) trabalho e sorte
Queiroga vive uma fase em que diversos de seus talentos têm se encontrado bastante. “Existe um fio condutor que une tudo que eu produzo, que é meu instinto, minha espontaneidade, o que flui, o que pulsa no meu coração. Eu me coloco à disposição da arte sempre, a todo momento; o que ela me pede, eu procuro atender”, avalia.
Ele hoje colhe frutos de um dos momentos mais desafiadores da carreira, em que largou a Engenharia Ambiental para entrar em um curso de teatro:
E isso mudou toda a minha vida. Em abril de 2018 eu fiz o curso; em maio, eu estava expondo minhas poesias na internet; em junho, eu era chamado de poeta; em setembro, através de um vídeo de poesia, fiz uma participação em Malhação [1995-2020]. Em outubro, apresentei o TEDx João Pessoa, com poesia. Em novembro, estreei nos palcos da Paraíba e rodei um ano e meio.
Tudo isso permeado por uma leveza, que o artista faz questão de ter na vida pessoal e na profissional. “Eu amo falar sério de forma leve, engraçada. Eu amo fazer rir e, quando a pessoa está rindo, eu mando uma mensagem muito séria. E muita coisa que já criei, inclusive no meu show de poesia A Rima Me Deu Rumo, eu utilizo bastante isso. Faço rir para depois emocionar, passar uma mensagem séria”, finaliza.
A Nobreza do Amor tem como protagonistas a princesa africana Alika, interpretada por Duda Santos, e o trabalhador brasileiro Tonho, vivido por Ronald Sotto. A trama conta com a direção artística de Gustavo Fernandez
e é ambientada na década de 1920.
A história escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr se desenvolve em dois universos fictícios: o reino de Batanga, na costa ocidental da África, e a cidade de Barro Preto, localizada no Rio Grande do Norte.