Com preços mais populares e uma venda feita diretamente nas plataformas da empresa, a Globo alcançou seu recorde histórico de assinantes com o Premiere, o serviço de pay-per-view de futebol, em 2025.
Segundo informações obtidas pela coluna, o Premiere chegou à casa dos 3 milhões de clientes. Somente no último trimestre de 2025, após uma promoção de Black Friday, cerca de 250 mil novos assinantes foram angariados.
Flamengo e Palmeiras, que disputaram o título até as últimas rodadas, puxaram o número de clientes. Foram os dois clubes com o maior número de torcedores declarados nos últimos meses do ano.
O crescimento tem explicação. Houve uma forte queda de preço no Premiere nos últimos anos. Pelo Globoplay, é possível assinar mediante o pagamento de R$ 59,90 no plano mensal. Caso o cliente opte por assinar via plano anual, o valor mensal passa a ser de R$ 29,90.
Até 2018, por exemplo, um pacote máximo do Premiere na TV paga custava cerca de R$ 110. É uma redução de 45% no preço nos últimos anos. A venda direta também facilitou, já que o preço era elevado por causa da parte do que era pago para operadoras.
O Premiere poderia dar ainda mais dinheiro à Globo e aos clubes se não fosse a pirataria. A arrecadação projetada é na casa dos R$ 750 milhões.
No entanto, segundo informou Manuel Belmar, diretor de produtos digitais, finanças, jurídico e infraestrutura da Globo, em conversa com a coluna em abril de 2025, de cada 5 pessoas que assistem ao Premiere por rodada, 4 não pagam a mensalidade para ter o serviço.
No mercado, estima-se que a Globo perca cerca de R$ 500 milhões com pessoas que veem os jogos sem pagar. Ou seja, se não fosse a pirataria, o Premiere poderia alcançar o valor de R$ 1 bilhão.
Atualmente, a Globo não tem lucro com o Premiere. Ele, porém, paga a conta dos direitos do Brasileirão. Os clubes têm uma participação no valor das assinaturas. Quanto mais torcedores, mais o time recebe da Globo.
“A gente vive uma situação endêmica no Brasil em relação à pirataria”, afirma Belmar. “Nossa capacidade de oferecer preço cada vez mais baixo tem um limite. Eu não tenho condição, com o preço dos direitos esportivos, de oferecer isso sem cobrar nada. É impossível”, disse Belmar na ocasião.