O remake de Vale Tudo se tornou um dos assuntos mais comentados antes mesmo da sua estreia e motivos não faltam: É a novela das novelas; Um clássico ainda muito presente na memória do brasileiro; Fala de corrupção X honestidade; Temas polêmicos; Obra extraordinária; Banana para o Brasil; Quem matou?
E ainda tinha toda a expectativa em cima de quem estaria no elenco e que atriz seria Odete Roitman, a vilã das vilãs. Só a escolha de Debora Bloch para o papel, aliás, já rendeu muitos haters, mas nada comparado a Paolla Oliveira.
À atriz coube o desafio de dar vida a Heleninha Roitman, personagem que na versão de Gilberto Braga foi de Renata Sorrah, uma das artistas mais talentosas da nossa dramaturgia.
É inegável, também, que ela tenha feito um trabalho belíssimo em 1988, e que as comparações surgiriam não só com ela, mas com todo o elenco da releitura de Manuela Dias, mas é injusto que somente Paolla Oliveira leve tanta “porrada”.
Tudo o que envolve o seu papel virou motivo de críticas. Da dependência da Heleninha com o álcool ao fato de ser chata, passando por um gestual da atriz com a cabeça enquanto fala.
O problema é que desde a estreia da novela que o público de casa e da Internet vem comparando as cenas de 2025 com as exibidas em 1988, debatendo as atuações das duas atrizes e adaptações da autora.
Havia muita expectativa, por exemplo, na sequência em que Heleninha toma um porre na boate e pede ao DJ que toque um “mambo caliente”. No folhetim de Gilberto Braga, Renata Sorrah arrasava na dança. Já Paolla Oliveira pediu e não teve o seu protagonismo na pista.
Em conversa com a imprensa, nos Estúdios Globo, a atriz disse que as pessoas ficam tão desesperadas em comparar as cenas que acabam perdendo a novela, se referindo à piada que a autora fez com essa cena que, segundo ela, ainda não foi a do clássico de 1988.
Heleninha sempre foi chata, mimada e dependente emocional
Pra quem anda comparando a personagem de 2025 com a de 1988, sinto dizer que está fazendo o trabalho de casa errado. Heleninha Roitman sempre foi chata, mimada e dependente emocional.
Quando conhecia o Ivan, papel de Antônio Fagundes no clássico e Renato Góes hoje, a artista plástica também se apaixonava da noite para o dia, depositava no crush a razão de sua felicidade e sufocava o pobre coitado. Já o seu filho, Tiago, ficava sempre em segundo plano.
Por outro lado, quando as coisas iam bem entre Heleninha e o boy magia, ela expressava a sua felicidade na arte. E quando a relação desandava também, além do copo de whisky. Se é pra reclamar, então, sinto falta da artista plástica criando mais.
Me parece, então, que a implicância com a personagem da atualidade seja por causa da mexidinha com a cabeça. Curiosamente, Paolla Oliveira já fez isso em outros trabalhos, mas não era a personagem da novela das novelas, né?
Personagem vai do inferno ao céu e Paolla do 0 ao 10
No remake de Vale Tudo, a grande virada de chave de Heleninha Roitman já começou. Abandonada por Ivan, a artista plástica vai ao fundo do poço e emerge, segundo as palavras da própria Paolla Oliveira.
Em cenas recentes, a personagem voltou a beber com mais frequência e a se envolver em novos escândalos. Além de quebrar um bar, ela por pouco não sofreu uma violência sexual. Dali em diante, será só ladeira abaixo.
A sequência foi muito elogiada na web, e a atuação da atriz que já levou um zero da crítica também. Assim como a cena, exibida há alguns dias, na qual Odete Roitman dá uma lição de moral na filha, dizendo tudo o que o telespectador quer falar, mas lhe falta oportunidade.
Ou seja, que a artista plástica é uma mulher de 40 anos, adulta, e responsável pelos seus atos, mas se esquece disso porque sempre foi muito mimada e acostumada com as pessoas passando a mão na sua cabeça.
Pra mim, o esporro da mãe na filha deve ter tirado um peso das costas das duas atrizes, principais alvos dos haters que não aceitam uma Odete humanizada e muito menos uma Heleninha imatura.
Se o perfil atualizado da personagem de Debora Bloch chegou a colocar em risco o título de vilã das vilãs da dramaturgia brasileira, bastou essa cena ir ao ar para a ameaça ficar no passado.
Agora, falando em protagonismo no horário nobre, esse mérito tem sido de Paolla Oliveira que pegou um dos papéis mais difíceis da trama e conseguiu imprimir uma Heleninha que incomoda e instiga na mesma proporção. É aquela velha temática do falem bem ou falem mal, mas falem de mim.