OUT Magazine: O retorno de Madonna é um momento político importante para a comunidade LGBTQ+

Opinião: O ícone gay há muito tempo canta a verdade em tempos turbulentos. E Confessions on a Dance Floor: Part II chega quando seus fãs LGBTQ+ mais precisam dela, escreve Josh Ackley.

Madonna apagou todas as suas publicações no Instagram e anunciou um novo álbum, descrito como uma sequência de Confessions on a Dance Floor, e a reação foi imediata, descomunal, quase física, espalhando-se pelas mídias sociais, pelos grupos de bate-papo e pelos canais privados e discretos onde pessoas atentas reconhecem um sinal quando o veem. Seria fácil interpretar essa reação como nostalgia ou como a cultura dos fãs agindo como sempre, mas essa interpretação ignora algo mais específico — algo que tem menos a ver com celebridade e mais com o momento certo. Madonna tem o hábito de ressurgir em momentos de tensão, de acirramento político e de estreitamento cultural que parecem sufocantes. Quem já vivenciou esse padrão o reconhece fisicamente antes mesmo de verbalizá-lo.

A última vez que ela lançou Confessions on a Dance Floor foi em 2005, no auge de uma guerra construída sobre mentiras, em um país que se acostumara com o medo como princípio governante, onde a dissidência era tratada como deslealdade e os limites da vida aceitável eram silenciosamente redesenhados. Aquele disco não chegou como um comentário, mas como uma libertação, como uma insistência, como algo extático e físico que rejeitava o peso moral do momento sem ignorá-lo. Tornou-se um dos discos mais amados de sua carreira não apenas por sua sonoridade, mas pelo que permitia às pessoas sentirem quando o mundo exterior parecia cada vez mais rígido e controlado. Então, quando ela sinaliza um retorno àquela era agora, em um ano que parece mais sombrio, mais instável e cada vez mais hostil à diferença, a reação não é apenas de entusiasmo, é de reconhecimento. Para muitos de nós, Madonna nunca foi simplesmente uma estrela pop; ela foi uma figura que associamos à permissão, à rebeldia, à recusa em se encolher quando encolher é o que a cultura exige.

Cresci numa pequena cidade petrolífera e carbonífera no norte do Novo México, um lugar onde o isolamento era palpável. A linguagem social permeava os programas de rádio e, se você não estivesse ouvindo Rush Limbaugh, não tinha muito a oferecer. Sua obsessão com gays e AIDS não era uma retórica distante, mas algo que se infiltrava em tudo, moldando o que podia ser dito, o que podia ser ouvido e o que podia existir sem problemas. Eu era jovem, mas não estava confuso. Sabia o que sentia, só nunca tinha visto aquilo se manifestar em lugar nenhum ao meu redor, e essa ausência trazia consigo uma espécie de disciplina. Você aprendia a conter esses sentimentos, a seguir em frente sem os expor, não porque não fossem reais, mas porque não havia onde se expressar. Não existia uma versão sua que seria totalmente reconhecida ou totalmente segura se você os deixasse vir à tona, e você entendia isso cedo.

Quando eu tinha 8 anos, meus pais fizeram da estreia do videoclipe de “Like a Prayer” um evento em nossa casa, o que, em retrospectiva, parece quase inacreditável, não apenas pelo conteúdo do vídeo, mas pelo que ele possibilitou. Madonna dançando em frente a cruzes em chamas, evocando a linguagem visual da Ku Klux Klan, inserindo-se em uma narrativa de violência racial e falsas acusações, beijando um santo negro dentro de uma igreja, o que parecia sagrado e transgressor ao mesmo tempo, fundindo religião, sexualidade e raça em um único quadro que se recusava a se resolver de forma polida ou facilmente digerível, tudo isso acontecendo na nossa sala de estar, tudo isso me atingindo antes que eu entendesse completamente o que estava vendo, mas entendendo o suficiente para sentir que algo importante estava acontecendo.

Não era apenas o fato de as imagens serem provocativas, mas sim a força moral que carregavam, que não pedia permissão, que não se abrandava para o conforto, que não se comportava como se a controvérsia fosse algo a ser evitado. Meus pais aproveitaram aquele momento para conversar conosco sobre raça, sobre injustiça, sobre história, mas o que ficou comigo com a mesma intensidade foi a sensação de ver alguém se recusando a ser contido pelas regras que pareciam tão fixas no mundo em que eu estava crescendo. Aquela foi a primeira vez que senti algo como uma estrutura de permissão, a sensação de que havia outras maneiras de existir, outras maneiras de se mover pelo mundo, outras maneiras de se manter firme sem desaparecer.

Alguns anos depois, chegou “Na Cama com Madonna” (Truth or Dare), e com ele algo ainda mais direto. Não se tratava de simbolismo ou abstração, mas sim de um grupo de homens gays na tela, carismáticos, engraçados, sensuais, complexos, plenamente vivos em um momento em que a narrativa dominante sobre homens gays nos Estados Unidos ainda estava saturada de medo, estigma e morte, em meio à crise da AIDS, quando a cultura popular preferia manter os gays invisíveis ou reduzi-los a meros exemplos de advertência. Madonna não os colocou à margem do filme, mas sim no centro, deu-lhes espaço, deu-lhes voz, permitiu que seus relacionamentos, seu humor, sua dor e seu desejo de existir sem pedir desculpas fossem expostos diante de uma enorme plateia.

Eu conhecia cada coreografia daquele filme. Assisti repetidas vezes. Assisti em uma sala que parecia muito distante de Nova York, muito distante de qualquer lugar onde pessoas como eu pareciam existir abertamente, e ainda assim, lá estavam eles, não como algo a ser escondido, mas como algo inegável. É fácil, em retrospectiva, falar de representatividade como se fosse um bem abstrato, mas naquela época era algo muito mais imediato, algo que rompia diretamente com o isolamento e dava forma a uma vida que eu ainda não via ao meu redor. Madonna falava abertamente sobre AIDS, sobre perda, sobre medo, de uma forma que pouquíssimas figuras públicas se dispunham a fazer nessa escala, e ela o fazia sem rodeios, sem se distanciar das pessoas mais afetadas, sem se comportar como se a proximidade com a vida queer fosse algo que precisasse ser administrado ou disfarçado.

Isso importava de maneiras difíceis de quantificar com precisão, mas fáceis de sentir. Tornava possível imaginar a sobrevivência. Tornava possível imaginar um futuro que não fosse definido inteiramente pela ausência ou pelo silêncio. Tornava possível viver uma vida visível e livre quando a alternativa era desaparecer nas expectativas de um lugar que não tinha uma linguagem própria para quem eu era.

Então, quando ela recomeça do zero e sinaliza que algo novo está por vir, algo que remete a um dos últimos momentos em que o mundo se sentiu tão tenso, as pessoas reagem. Elas param. Elas prestam atenção. Porque para aqueles de nós que a vivenciamos em diferentes fases, que precisamos do que ela ofereceu em diferentes momentos de nossas vidas, não parece um ciclo rotineiro de álbum. Parece o retorno de uma força que, mais de uma vez, tornou possível continuar.

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Legal, né?

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eterna rainha do pop

eu to curada.

Ai, o GIF, pelo amor de Deus KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

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Icônica

comunidade +45
nós -23, já temos a sabrina e a taylor

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ai que morte horrivel

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Dona do universo

Esse álbum vai ser o momento

e eu tive que ler um infeliz das costas oca questionamentos sobre o legado da madonna

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Acho que é o momento mesmo. Não vejo o público animado assim com ela há muito tempo.

Bom BAN!

o ban por falar fatos