Felicidade
Enrolada, sem liga e sem foco. Mesmo com os dois últimos caps sendo bons (tanto pela qualidade como pela sensação de alívio/conclusão), não foi uma novela satisfatória.
É basicamente como se existissem duas novelas distintas, de um lado, Helena, Mário, Álvaro, Bia, Débora e Alvinho, numa história bem chata e cansativa, e do outro, um bando de coadjuvantes indiferentes – o melhor núcleo que é o da Tuquinha tem aquele fim trágico.
Resumo
Já começa que ela demora muuuuuuuuuuito a engatar, a primeira fase tem 80 caps e só aí vira pra 1992 – até dá pra comprar a questão das fases, apesar da demora. Depois disso, mesmo com a vibe folhetinesca, de boas interpretações e um bom texto, o roteiro que já é frágil e a direção tosca da Saraceni não dão liga. A Helena é uma personagem interessante, bem defendida, toda a história dela é boa, mas é algo que não rende 203 caps, ainda mais com os coadjuvantes complicadíssimos. Era papo de 149/155 caps. Chata que só.
A escolha dos contos do Aníbal Machado pra embassar a novela foi de boa intenção – eu li acho que lá no 1º/2º ano do fundamental quase 20 anos atrás – mas não rendem uma novela. São contos e a tranposição pra linguagem de novela não rolou; junta isso a um roteiro fraco e uma direção tosca… é babado.
A história da Helena é boa, até gostei, mas é muita enrolação e me soa antiquada até pra 1992. Até a parte que ela vai pro Rio acho ok, mas a busca pelo pai da Bia é enrolada e enfadonha. Custo a crer que em plenos anos 90, já com certos avanços sociais e a Helena vivendo bem, isso seria algo digno de história principal das 18h pra 203 caps, 155 e olhe lá. Enrolação demais pra história de menos.
Pasmanter super segura e entregue na estreia, servindo um grande papel, e destaque incontestável da novela. Me incomoda como a Débora pesa muito o clima com duas crianças, ainda mais com o ECA então recém-aprovado, assim como a perseguição com o Álvaro e a Helena; o final dela “ficando boazinha” de fachada serviu Felipe Barreto em O Dono do Mundo.
Gosto da Bia e do Alvinho, trazem uma leveza/inocência pra novela, e anos depois o Maneco repetiu um pouco (de forma bem melhor) a dinâmica de criancinhas que não sabem que são irmãos em Mulheres Apaixonadas.
Do que presta na novela: Helena, Mário, Álvaro, Débora, Bia, Alvinho, e núcleo da Tuquinha. O resto? Irrelevante, assim como a novela em retrospecto. Sem surpresa alguma a reprise no Vale a Pena ter sido do jeito que foi, a novela já tem caps curtos e enrola desse jeito, tem que meter o facão mesmo. Do horário das 18h dos anos 90 tem: Barriga de Aluguel, Mulheres de Areia, História de Amor, Anjo Mau, Era uma Vez, Força de um Desejo, e com certeza Salomé, Irmãos Coragem (pela força da história + assistindo como novela de época) e Pecado Capital 98 (força da história) são melhores.
E só funciona pra +40 mesmo (=Edição Especial), acho divisiva até pra quem gosta do Maneco Leblon, e tem 0 capacidade de conquistar novas gerações do Maneco como as seguintes.
5/10