OPINIÃO - A nova música de Katy Perry e Dr. Luke sobre o feminismo é tão ruim quanto parece
Sabemos que Katy Perry pertence a grandeza do pop – ouça o “Teenage Dream” se precisar de provas – mas ultimamente, enquanto ela se prepara para lançar seu próximo álbum chamado de “143”, as coisas não parecem tão boas para ela.
A era “143” começou com a música “Woman’s World”, um lançamento que deveria ter sido condenado desde o início. Desde que os primeiros trechos chegaram à internet, a letra da música parecia ter sido gerada por IA, o retorno já estava em um terreno instável.
Então veio a revelação de que a música, uma tentativa de “hino feminista”, foi co-produzida e co-escrita com Dr. Luke, um produtor que foi acusado de estupro, assédio e violência de gênero em uma longa série de ações judiciais da cantora Kesha. (Os processos foram indeferidos e o Dr. Luke negou as acusações.)
Mas, além da ironia de criar uma música sobre o “empoderamento feminino” com alguém vinculado a acusações tão perturbadoras, a música é simplesmente ruim - e o videoclipe é ainda pior.
Começamos com Katy vestida de Rosie the Riveter, enquanto ela e suas dançarinas de apoio de corpos malhados se inserem no que tradicionalmente descrito como “espaços masculinos”. Elas recriam cenas como as construtoras da Cidade. Bebem uísque e pegam nas ferramentas. Elas ficam confiantes diante dos mictórios. Você já está se sentido empoderada com isso?
O que é tão preocupante nestas imagens que Katy retrata como sátira, é que não é assim que o feminismo deveria ser. Ela disse em entrevista a Apple Music que sua decisão de focar nesse tema (o feminismo) foi porque: “Esta é a primeira contribuição que dou desde que me tornei mãe e desde que me senti realmente conectada ao meu divino feminino”.
Mas conectar-se com o “divino feminino” não significa incorporar espaços tradicionalmente masculinos; ideologicamente o feminismo significa celebrar as alegrias únicas da feminilidade.
O feminismo não se trata de provar que podemos fazer tudo o que os homens fazem – Não mais, o caminho certo para empoderar as mulheres não deveria ser sobre os homens. Muitas mulheres bebem uísque e sabem operar furadeiras em construções, mas esse nem é o ponto da questão aqui. Essa é a ponta do iceberg nessa tentativa genérica de vender o feminismo e o resultado é que Katy Perry nunca tem nada muito substancial a dizer sobre esse tema.
Tudo sobre o tema dessa música parece 15 anos atrasado para ser sincera e o videoclipe não ajuda. Obviamente, há algo a ser dito sobre o pop saudosista ou um throwback dos sons que dominaram as paradas de sucesso no início dos anos 2000, mas “Woman’s World” parece um hambúrguer nada atrativo.
O refrão diz: “Celebrate! ‘Cause, baby, we ain’t goin’ away/ It’s a woman’s world and you’re lucky to be livin’ in it.’ A imagem dos barbeadores no rosto de Katy não faz você se sentir sortuda por estar viva? Isto não é camp; isso é chato. Em um mundo onde muito poucos sistemas estruturais e institucionais nos fazem sentir como se estivéssemos sexualmente através do “mundo das mulheres”, nenhuma parte de mim quer fazer parte disso.
O momento é ruim, e a música também. Essa realidade é algo que Katy tenta abordar no clipe, quando uma bigorna a esmaga e a transforma em uma versão inflada de si mesma usando um anel que impõe o símbolo do gênero feminino na forma de uma ring light - Antes de aparecer de forma constrangedora a youtuber Trisha Payta.
Mas qualquer que fossem as intenções de Katy, a música não daria certo. Este lançamento falhou tanto quanto a bigorna que esmaga a cantora no meio do videoclipe.
Tudo é ruim. Muito ruim.