Descrever Oil of Every Pearl’s Un-Insides é falar sobre a materialização sonora do conceito de queer. Tanto sua sonoridade(uma fusão de dance-pop, música eletrônica clubber e eletrônica desconstruída) quanto os lirismos de suas composições que abordam aceitação, identidade e paixão, refletindo a vivência da artista como uma mulher transgênero, fazem deste disco uma obra universal para a comunidade LGBT+.
Um homem gay pode se identificar com suas faixas da mesma forma que uma pessoa trans, e é justamente essa capacidade de dialogar com diferentes vidas que torna este álbum tão apoteótico, magnífico e genial. Não à toa, consagrou-se como um dos melhores discos de 2018 pela crítica e, na minha visão, perdeu injustamente o Grammy de Melhor Álbum Dance/Eletrônico.
Oil of Every Pearl’s Un-Insides é estranho, mecânico, futurista, barulhento, mas simultaneamente, alegre, reflexivo e dançante. No meu gosto, “Infatuation” e “Is It Cold in The Water” demonstram-se as melhores faixas, enquanto “Not Okay” a mais fraca com a versão remix sendo superior, menções honrosas para o frenético “Faceshopping” e o atmosférico e meio assustador “Pretending”. Uma curiosidade sobre esta obra, é que o título é um anagrama de "I Love Every Person’s Inside, tradução de “eu amo o interior de cada pessoa”, evidenciando a inteligência e ousadia de Sophie.
Eu gosto muito dos vocais da Cecile. Por mim ela jogava um lote de produção de panelas tramontina na minha cabeça que eu acharia maravilhoso. Amo a estética do álbum, até acho que influenciou a Madonna agora. Queria muito ouvir a SOPHIE se aventurando em novos sons sozinha ou produzindo pra outros. Tem músicas que não gosto, mas vou evitar comentar.