“Quem Ama Cuida” ainda nem estreou, mas a coluna descobriu que a próxima novela das nove da Globo já vai entregar um daqueles momentos que fazem barulho e imediatamente remetem a um dos maiores ícones da teledramaturgia: Odete Roitman (Beatriz Segall/Débora Bloch), de “Vale Tudo”.
Logo no primeiro capítulo da substituta de “Três Graças”, que estreia no dia 18 de maio, Pilar, personagem de Isabel Teixeira, chega mostrando exatamente a que veio. Em uma sequência no carro, parada no trânsito em meio ao caos da chuva em São Paulo, ela reage à abordagem de um pedinte de forma direta e cruel. “Sai, pobre”, diz, sem qualquer constrangimento, antes de fechar a persiana na cara do homem.
Mas não para por aí. Na sequência, ao comentar a situação da cidade, a personagem deixa ainda mais claro o seu olhar elitista e desumanizado: “O que me incomoda é esse lixo de gente que se apoderou dos sinais. O Centro já foi tão bonito, essa gente pobre enfeia a cidade”.
A fala imediatamente remete a uma das apresentações mais marcantes de vilã na história da TV: a de Odete Roitman, em “Vale Tudo”. Na novela clássica, a personagem também surge com um discurso carregado de desprezo pelo Brasil e pelos brasileiros, estabelecendo de cara sua visão de mundo e seu lugar na trama.
Assim como Odete, Pilar entra em cena já deixando explícito seu posicionamento social, sua frieza e, principalmente, sua incapacidade de enxergar o outro como igual. É uma construção clássica de uma vilã daquelas que não pedem tempo para se revelar.
E se a primeira impressão costuma ser a que fica, “Quem Ama Cuida” não poderia ter escolhido uma forma mais direta — e provocativa — de apresentar sua grande antagonista.
